Luciana Genro

Impunidade herdada da ditadura e violações dos direitos humanos pautam debate na faculdade de Direito da UFRGS

10 de abril de 2019 11h17
A deputada estadual Luciana Genro e a juíza Sonáli da Cruz Zluhan participaram de atividade do coletivo Juntos! | Foto: Juliana Almeida

A deputada estadual Luciana Genro, do PSOL, participou com a juíza Sonáli da Cruz Zluhan de um debate do Coletivo Juntos! na Faculdade de Direito da UFRGS na noite de terça-feira (9/4) sobre o golpe militar e a construção das políticas no Brasil.

As violações dos direitos humanos, o assassinato de Marielle Franco, a execucação com 80 tiros do músico Evaldo dos Santos Rosa, na última segunda no Rio de Janeiro, a formação das polícias e das milícias no Brasil, e a impunidade herdada da ditadura militar foram alguns dos temas abordados na atividade.

A deputada estadual Luciana Genro relembrou do lançamento do seu livro “Direitos Humanos: O Brasil no banco dos réus”, ocorrido no salão de atos da Faculdade de Direito em 2012. O livro aborda as falhas da Justiça de Transição no Brasil, o único país sem punir agentes que cometeram crimes de tortura, perseguição e assassinato a seus opositores.

“As medidas punitivas da Justiça de transição foram ignoradas no Brasil. Sem julgamento, essas violações dos direitos humanos do passado se projetam no presente. Na questão da política, a ausência de um corte também deixa políticos que encobriram a ditadura ainda no poder”, destacou a deputada.

Luciana Genro relembrou ainda do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.

“Há uma certeza de que os executores estão ligados às milícias, mas obviamente há um braço político por trás deste crime. As milícias têm policiais e membros do Exército extorquindo as comunidades. E por trás, a sustentação de parlamentares corruptos”, recorda a deputada.

A juíza Sonáli da Cruz Zluhan, titular da 1ª Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre e responsável pela fiscalização da execução das penas prisionais em Porto Alegre, destacou as desigualdades sociais que atingem a população carcerária e sua família, dentro e fora das prisões. Em um gráfico, apontou que os presos em sua maioria são jovens, entre 18 e 24 anos e com ensino fundamental incompleto.