Luciana Genro

Sonia Guajajara defende demarcação de territórios indígenas em Porto Alegre

08 de Maio de 2018 14h43

Sonia Guajajara visitou aldeia Guarani em Porto Alegre | Foto: Samir Oliveira/PSOL

Pré-candidata a vice-presidência da República pelo PSOL, a ativista indígena Sonia Guajajara cumpre agenda de dois dias no Rio Grande do Sul. Acompanhada de uma comitiva do partido e de lideranças do MTST, ela esteve nesta terça-feira (08/05) na aldeia Guarani da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, onde foi recebida pelo cacique José Cirilo e pôde dialogar com a comunidade.

Em seu discurso, Sonia defendeu a demarcação dos territórios indígenas como forma de sobrevivência dos povos originários e de preservação do meio ambiente. “Temos uma relação sagrada com a terra, de cuidado e de proteção, não de mercado. A preservação do território sempre foi a bandeira prioritária dos povos indígenas. Temos que garantir isso para continuar sendo o que somos”, disse.

Representando o PSOL na atividade, a ex-deputada Luciana Genro se referiu à Sonia como “co-presidenta” e ressaltou o compromisso histórico do partido com a luta dos povos indígenas, lembrando o ativismo do cacique Juarez na fundação do partido em Viamão. “Temos este compromisso histórico com as comunidades indígenas, em defesa da terra e dos recursos naturais. A população indígena tem sofrido um processo de empobrecimento brutal. Justo os indígenas, que são os verdadeiros donos deste Brasil espoliado”, comentou.

Sonia Guajajara cumpre ainda agenda na aldeia Kaingang do município de Iraí, acompanhada do pré-candidato ao governo do Estado, Roberto Robaina, e de lideranças do PSOL. Na quarta-feira participa de uma aula pública na UFRGS, às 17h, e de uma roda de conversa com mulheres, às 19h30 na sede do Sindicaixa (Rua da República, 92).

Sonia pertence ao povo Guajajara/Tentehar, que vive nas matas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Filha de pais analfabetos, deixou suas origens pela primeira vez aos 15 anos, quando recebeu ajuda da Funai para cursar o ensino médio em Minas Gerais. Depois, voltou para o Maranhão, onde se formou em Letras e Enfermagem e fez pós-graduação em Educação Especial. É coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que unifica mais de 305 povos em torno da defesa de seus territórios.