Luciana Genro

“Estamos aprendendo que é possível vencer”, diz Naomi Klein na Cúpula do Povo em Chicago

10 de junho de 2017 18h50

Luciana Genro encontrou a escritora e jornalista Naomi Klein na People’s Summit, em Chicago.

A cidade de Chicago, nos Estados Unidos, reúne mais de 5 mil ativistas entre 9 e 11 de junho deste ano para a segunda edição da Cúpula do Povo – a People’s Summit. Representando o PSOL, a ex-deputada Luciana Genro e a integrante da direção nacional do partido Mariana Riscali participam dos debates com o conjunto de movimentos da esquerda estadunidense.

Elas estiveram, neste sábado, dia 10, na conferência “Do conhecimento à ação”, que reuniu as jornalistas Katrina Vanden Heuvel, editora da revista The Nation, e Amy Goodman, apresentadora do programa Democracy Now, além do ator Danny Glover e da escritora Naomi Klein. O painel foi mediado por Jane Sanders, assistente social, educadora e esposa do senador Bernie Sanders, que disputou as primárias presidenciais do Partido Democrata contra Hillary Clinton. Após o debate, Luciana conversou com Naomi Klein, que está lançando seu novo livro: “Não, não é o bastante – Resistindo às políticas de choque de Trump e ganhando o mundo que precisamos”.

– Assista aqui à conferência completa (em inglês)

Jornalista a escritora de aclamadas publicações sobre aquecimento global, globalização e capitalismo, a canadense Naomi Klein falou sobre os movimentos de esquerda ao redor do mundo que representam alternativas ao sistema neoliberal. Ela citou a expressiva votação de candidaturas da esquerda radical como a de Bernie Sanders nos Estados Unidos, do Podemos na Espanha, de Jeremy Corbyn na Inglaterra e de Jean-Luc Mélenchon na França.

“O sucesso do projeto neoliberal nunca foi nos convencer de que suas ideias são boas, mas sim dizer que nossas ideias são impossíveis. Isso está mudando, nós estamos aprendendo que é possível vencerr. E se nós podemos vencer, temos que vencer”, conclamou.

A jornalista Katrina Vanden Heuvel destacou a necessidade de estes movimentos de esquerda se unirem internacionalmente para articular a resistência ao sistema capitalista e a formulação de uma outra forma de organização social, política e econômica. “O establishment falhou. A velha ordem está morrendo, mas uma nova ordem ainda não nasceu”, disse.

Já Amy Goodman, que apresenta um programa semanal de rádio chamado Democracy Now, falou sobre a importância de se fortalecer uma mídia independente das grandes corporações. Ela comentou. ainda, a respeito das lutas ambientais nos Estados Unidos, que têm ganhado destaque graças à cobertura dos veículos alternativos. “O nosso trabalho é ir aonde está o silêncio. Quando a luz da mídia brilha na direção certa, podemos fazer uma diferença enorme no mundo. Por isso precisamos de uma imprensa independente, que não seja financiada pelas petroleiras, por fabricantes de armas e por grandes laboratórios”, defendeu.

O ator Danny Glover falou sobre racismo e ancestralidade, referindo-se à influência positiva que recebeu de sua bisavó, sua avó e sua mãe. “Tenho a responsabilidade de trabalhar por uma sociedade mais justa e por um mundo com paz, onde possamos proteger este frágil planeta em que vivemos”, comentou.

Ao falar sobre racismo, Danny se emocionou ao se referir a uma jovem estudante que havia estado no painel anterior, relatando sua experiência após ter sido presa pela polícia em um protesto. “O grande problema da democracia nos Estados Unidos permanece sendo a questão racial. Sempre foi assim”, finalizou.