Luciana Genro

Luciana apresenta propostas a Porto Alegre e denuncia ataques do governo Temer em debate na Record

26 de setembro de 2016 09h43

No penúltimo debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre, realizado pela TV Record na noite deste domingo (25/09), Luciana Genro apresentou suas propostas para governar Porto Alegre e criticou os ataques do governo de Michel Temer. Luciana lembrou que as siglas de seus oponentes são citadas na operação Lava-Jato e que Sebastião Melo, do PMDB, e Nelson Marchezan Jr, do PSDB, estão juntos no apoio ao governo federal de Temer.

Luciana apresentou propostas e expôs contradições de adversários | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

Luciana apresentou propostas e expôs contradições de adversários | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

Já no primeiro bloco, Luciana questionou Marchezan sobre os casos de corrupção que envolvem o PSDB tanto em nível nacional como no Rio Grande do Sul, lembrando a Operação Rodin, no governo Yeda Crusius, do mesmo partido do candidato tucano. Ela também lembrou que o vice de Marchezan é do PP, partido campeão de envolvimento na Lava-Jato. “Vocês já governaram o RS no passado, com a Yeda, foi o governo mais corrupto da história do estado. Essa aliança que tu construíste com o PP, Marchezan, vai levar Porto Alegre a muita corrupção”, criticou.

Quanto à saúde, Luciana afirmou que é uma área fundamental e hoje a situação é crítica na Capital gaúcha pela falta de profissionais nas mais diversas áreas. “Tecnologia é essencial. Vamos adotar o Telessaúde, um serviço que não custa nada, através de convênio com a UFRGS, que oferece especialistas à distância para que médicos dos postos garantam solução direta ao paciente. Basta que prefeitura revogue portarias para que médicos peçam exames, assim podemos reduzir a espera por atendimento e dar mais resolutividade.”

Ainda nos embates do primeiro bloco, Luciana questionou Sebastião Melo sobre os gastos excessivos em CCs, que superam R$ 100 milhões por ano. Ela lembrou que esse valor poderia ser aplicado na geração de renda para mulheres desempregadas. “CCs são necessários, mas não em excesso como ocorre hoje. E esse dinheiro pode ser usado para pagar um salário mínimo para mulheres chefes de família que estão desempregadas. Esse é um compromisso que assumo a aplicar quando prefeita. Elas terão esse rendimento e vão prestar serviços para a prefeitura, com oportunidade de qualificação profissional em cursos semanais”, defendeu.

4fdc11fd-6c64-4d78-af05-aa12d006ddb3No segundo bloco, ao responder perguntas pré-definidas pela produção e sorteadas entre os candidatos, Luciana explicou a proposta para habitação popular em Porto Alegre. Ela lembrou que existem 300 mil pessoas que vivem em situação precária e sem saneamento em ocupações e bairros carentes. “Precisamos de um mutirão emergencial para melhorar moradias e fazer um mapeamento dos terrenos da prefeitura e destiná-los à moradia. Também faremos um  programa eficiente para a construção de habitação, pois a prefeitura não tem ação específica para isso, enquanto há 50 mil pessoas na fila de espera por uma casa no DEMHAB.”

Ao questionar Raul Pont, Luciana elencou os problemas na mobilidade urbana da capital. Ela defendeu maior fiscalização sobre as empresas, cobrando o cumprimento dos horários, e lembrou que a tarifa subiu 30% acima da inflação nos últimos anos. “O projeto dos BRTs, do governo do Melo, começou e ainda não ficou pronto. As estações fechadas e com ar-condicionado que foram prometidas, agora foram desmontadas.” Luciana também afirmou que fará um auditoria na planilha de custos das empresas privadas e nos contratos da Carris, para verificar os fornecedores e dar transparência às contas da companhia.

No penúltimo bloco, Luciana perguntou a Melo sobre emenda constitucional conduzida pelo governo Temer, do mesmo partido do candidato, que impõe teto nos gastos públicos pelos próximos 20 anos. Para ela, a medida provisória compromete as finanças da prefeitura e atinge áreas essenciais, como saúde e educação. A candidata ainda lembrou outras medidas do PMDB a nível nacional, como a reforma do Ensino Medio, que atinge o ensino público em todo país e está sendo proposta sem debate, através de uma Medida Provisória. Ela afirmou ainda que o investimento em educação também é uma forma de combater a violência, lembrando que a 7d8dad74-46a9-4329-93ff-60224a6cc8a4cada ano que a criança fica na escola após 5ª serie, reduz em 10% chance de migrar pra criminalidade. “Precisamos aumentar a rede própria e valorizar as escolas infantis conveniadas, que hoje precisam fazer vaquinha pra comprar merenda para as crianças porque não recebem verba suficiente da prefeitura.” Por fim, lembrou que a proposta de congelamento dos gastos que tramita em Brasília teve voto do candidato Nelson Marchezan Júnior. “Os repasses precisam aumentar e não diminuir, como prevê essa proposta.”

No encerramento, Luciana lamentou as mudanças nas regras eleitorais que inviabilizaram o tempo de propaganda para que o PSOL pudesse apresentar e detalhar propostas ao longo primeiro turno. “Mal podemos falar de um programa de governo profundo na saúde, segurança, assistência social. Porto Alegre hoje a é conhecida nacionalmente pela insegurança, onde violência impera. E nós temos propostas consistentes para esse problema. Quero seu voto para ir ao segundo turno e apresentar melhor essas ideias. Estamos em empate técnico e eu tenho condições de vencer”, finalizou.