Luciana Genro

PM agride manifestantes em ato no DF

11 de dezembro de 2009 14h17
Crédito: Roosewelt Pinheiro, ABr

Crédito: Roosewelt Pinheiro, ABr

A manhã de quarta-feira, 9, em Brasília, foi marcada por cenas de intensa violência da Polícia Militar sobre manifestantes de realizavam um ato público contra a corrupção em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. Participaram do protesto cerca de 1,5 mil pessoas, que cobravam a saída do governador José Roberto Arruda, do seu vice, Paulo Octávio, e dos deputados distritais envolvidos em esquema de pagamento de propinas.

As agressões começaram já no final do protesto, quando sobraram no local cerca de 150 pessoas, conforme conta Alexandre Varela, dirigente do PSOL de Goiás, presente no episódio. “Alguns militantes bloquearam a avenida, a PM chegou e houve uma negociação. Concordamos em sair e quando caminhávamos pelo canteiro central da via, em direção à rodoviária, a Tropa de Choque veio com tudo.” Varela ressalta que em momento algum houve agressão dos manifestantes aos policiais, que estavam em cerca de 600 homens. “Não existem imagens que provem esses ataques à PM. O que se vê é o contrário. Agora, depois de apanharem, algumas pessoas reagiram para se defender”, explica. Ele relata que a Tropa de Choque chegou de forma truculenta, preparada para um massacre, para evitar a manifestação de qualquer maneira. “Já haviam tolerado a ocupação da Câmara Legislativa do DF e estavam ofendidos. Decidiram se vingar naquele momento”, acredita o dirigente.

O ato em frente ao Palácio do Buriti foi organizado por diversos movimentos sociais e sindicatos, como o dos Servidores Públicos (Sindser). Camisetas pretas e bandeiras foram utilizadas pelos manifestantes, que também distribuíram adesivos com o ‘Fora Arruda e P.O.’ a motoristas que passavam no Eixo Monumental.

O presidente do PSOL no DF, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho, discursou e disse que a unidade da população brasiliense conseguirá derrubar “toda a quadrilha que se alojou no Distrito Federal”. Para ele, não somente o governador e o vice deveriam ser trancafiados na Penitenciária da Papuda, mas também os empresários e parlamentares envolvidos. Toninho afirmou ainda que o partido teve presença importante na mobilização e na ocupação da Câmara Distrital e no protesto de quarta-feira. “É preciso ampliarmos a mobilização entre o povo, considerando que o Poder Legislativo local não vai votar o impeachment do governador, já que a maioria dos deputados distritais estão na folha de pagamentos de propinas da corrupção.” Para ele, só o povo nas ruas, com suas organizações representativas mobilizadas e em luta, poderão alterar a correlação de forças existente.

Toninho ressalta que o PSOL/DF tomou várias iniciativas para as mobilizações, como a edição de panfletos, adesivos para automóveis, camisetas etc. “Partiu do governador e do coronel da Polícia Militar espancar a militância. Esse aparato deveria ser utilizado contra os corruptos e ladrões e não contra trabalhadores. O povo do Distrito Federal é honesto e está muito revoltado diante das ações da polícia”, conclui Toninho.

Após quatro meses licenciada, a deputada federal Luciana Genro retomou suas atividades na Câmara Federal na quarta-feira. Ela parabenizou o grupo de manifestantes que permaneceu por cinco dias na Câmara Distrital, cobrando a ética na política dos Poderes Executivo e do Legislativo. “Vamos protestar até que Arruda e sua corja saiam do governo”, afirmou.

O povo não teme a violência. A luta continua

O Movimento Contra a Corrupção – integrado por PSOL, PT, PCdoB, PSB, PCB, PSTU, PTdoB, PPL, PDT, CUT, Intersindical, CGTB, Conlutas, UNE, DCE da UnB, DCE da Católica, CUFA, entre outras organizações – realizará neste sábado, 12 de dezembro, às 9h, uma carreata que sairá do Estádio Mané Garrincha e irá até a residência oficial do governador. Outros atos também ocorreram nesta quinta-feira, 10.

Corrupção no Rio Grande do Sul

Em discurso no Plenário, Luciana Genro lembrou que em 9 de dezembro celebrava-se o Dia Mundial de Luta contra a Corrupção e citou as mobilizações contra a corrupção no Distrito Federal e também no Rio Grande do Sul, no governo de Yeda Crusius.

Ela contou que, na terça-feira, 8, junto com o presidente do PSOL no RS, Roberto Robaina, e o vereador Pedro Ruas, fez mais uma denúncia de corrupção no governo Yeda. “Há mais uma casa suspeita na família Crusius e informações que comprovam indiscutivelmente a existência de caixa-dois na campanha eleitoral de 2006 da governadora. Essas informações, aliás, foram trazidas e confirmadas pelo próprio vice-governador.”


Fonte: PSOL Nacional