Luciana Genro

Os amigos de Daniel Dantas querem confundir a população e perseguir quem os combate

20 de abril de 2009 14h09

No Brasil, se misturam escândalos de corrupção de toda a monta e tipo. Alguns recentes e graves, como as fraudes em licitações envolvendo a grande empreiteira Camargo Correa. O de maior repercussão foi o do banqueiro Daniel Dantas. Mas infelizmente novos escândalos facilitam que os escândalos envolvendo as grandes empresas capitalistas e banqueiros sejam abafados. Depois dos mensalões, do assalto aos cofres públicos no Senado, de parlamentares comprarem castelos roubados com o dinheiro público, outra falcatrua é revelada: deputados pagam passagens para artistas passearam nos camorates de carnaval e vendem sua cota de passagens para empresas, que as revendem. Mas no caso dessa falcatrua há uma novidade: desta vez, setores da grande mídia tentam aproveitar as denúncias para confundir a população. Tratam de incriminar também o Partido Socialismo e Liberdade com acusações ridículas e estapáfúrdias. Acusam o PSOL e nossa deputada federal Luciana Genro de ter pago passagens para o delegado Protógenes Queiroz. Tentam vender a idéia de que tal pagamento fosse igual a algumas das falcatruas efetuadas por parlamentares corruptos. Trata-se da típica tentativa de colocar todos na vala comum para que tudo continue como está. E, ao mesmo, tempo abafar os grandes assaltos levados adiante pelas grandes empresas.

Ocorre que, nos últimos anos, nosso país foi palco de lutas que garantiram conquistas democráticas que necessitam continuar e se aprofundar. São essas conquistas que estão ameaçadas. São conquistas ainda parciais, pequenas, mas é significativo que tenhamos juízes, delegados e procuradores de Justiça que combatem a corrupção, que investigam, mandam prender e não vacilam em enfrentar as mais sórdidas campanhas para insistir nesse caminho. São exemplos o juíz Fausto De Sactis, o procurador Rodrigo de Grandis e o delegado da Polícia Federal Prótogenes Queiroz. Foi o trabalho deles que revelou e desmascarou a quadrilha criminosa chefiada pelo megaempresário Daniel Dantas, um dos banqueiros mais influentes do país, cujas relações, influência e amizade se estendem ao juízes do Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional e aos partidos do governo e da oposição de direita, notadamente, PSDB, DEM e PT.

Mas no Brasil da injustiça, da corrupção e da impunidade, onde os milionários e as grandes empresas, latifundiários e banqueiros dominam o poder e os governos de plantão, os corruptos mantêm a ofensiva. Por isso, enquanto Dantas segue solto – apesar de condenado a dez anos de prisão pelo juís De Sanctis – Protógenes, o delegado, é perseguido, afastado de sua função na Polícia Federal e se transforma de investigador em investigado. É um escândalo. No Brasil da corrupção, os donos do poder controlam também a maior parte da mídia e a utiliza para defender seus interesses.

Por isso, além de Protógenes, o PSOL está sendo atacado. Afinal, assim como ele é expressão de que existem delegados que de fato cumprem sua obrigação pública de combate ao crime, existem partidos e políticos que lutam pelos interesses populares e combatem as falcatruas dos donos do poder. Essa é a razão que motivou o encontro de Protógenes com o PSOL. Os mesmos que combatem Protógenes em defesa de Daniel Dantas não poderiam deixar de combater o Partido Socialismo e Liberdade. A tentativa agora é dizer que cometemos algum tipo de crime, ou de má-utilização de recursos públicos e corrupção ao pagar uma passagem da cota legal do partido na Câmara dos Deputados para uma viagem do delegado para atender o convite de participar de uma palestra na Ufrgs – Universidade Federal do Rio Grande do Sul e de um ato contra a corrupção, no centro de Porto Alegre, em novembro de 2008, com a presença da ex-senadora, candidata ao Planalto e agora vereadora de Maceió, Heloísa Helena (PSOL/AL).

A viagem de Protógenes foi autorizada pela Polícia Federal. Não apenas foi dentro da lei e do estrito exercício do mandato parlamentar de Luciana Genro, como foi uma viagem fundamental para nossa luta contra a corrupção. Não vamos parar essa luta. Não vamos nos intimidar com as campanhas de calúnia dos amigos de Daniel Dantas, que tentam confundir a opinião pública para que tudo continue como está.

Roberto Robaina, presidente do PSOL/RS