Luciana Genro

Deputada vai à tribuna reafirmar denúncias contra governo Yeda

04 de março de 2009 15h58

Provas são contundentes e revelam caixa dois e desvio de verbas

A deputada federal Luciana Genro reiterou nesta terça-feira, 3, no plenário da Câmara dos Deputados, as denúncias, reveladas no dia 19 de fevereiro, que evidenciam a prática de caixa dois na campanha do PSDB ao governo gaúcho e envolvimento da governadora Yeda Crusius no desvio de dinheiro do Detran. Em entrevista coletiva, Luciana e o vereador Pedro Ruas revelaram que provas testemunhais e gravações em áudio e vídeo comprovam a prática na campanha de 2006 e o desvio de recursos.

As provas foram entregues ao Ministério Público Federal, que abriu processo que corre em segredo de justiça, por integrantes do partido da governadora, sob a prerrogativa da deleção premiada. A deputada explicou que a divulgação dos fatos foi tomada diante da morte misteriosa, em Brasília, de Marcelo Cavalcante, ex-representante do Rio Grande do Sul, no último dia 16 e que que iria depor no dia 27 na Justiça. “É uma teia de corrupção e de mistérios”, afirmou a parlamentar.

Luciana esclareceu que o PSOL não cometeu nenhuma irresponsabilidade ao divulgar os fatos, como tem afirmado políticos do PSDB. Ela afirmou que as provas estão de posse do Ministério Público, que já solicitou também que a Polícia Federal participe das investigações. “Se a governadora está sendo caluniada pelo PSOL, por que, na condição de maior interessada, não pede ao Ministério Público Federal que abra o sigilo desse processo”, questionou.

O líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), destacou a gravidade da situação no Rio Grande do Sul e disse que, em nome da transparência, da democracia e do combate à corrupção, o PSOL gaúcho divulgou as denúncias investigadas pelo Ministério Público. Segundo Valente, a ameaça do líder do PSDB em entrar com representação contra Luciana no Conselho de Ética revela-se incompatível, já que o partido não combate a corrupção dentro da própria legenda. “Por que a governadora Yeda está na defensiva e não vem a público esclarecer?”.

Valente disse ainda que, caso o PSDB entre com a representação, será possível pedir a quebra de sigilo no processo do Ministério Público para mostrar que as provas contra o governo gaúcho são contundentes. “Não tememos. Mostraremos que o que chamam, hoje, de evidências se constituem em provas reais de corrupção”, completou Luciana.

Confira os fatos revelados pelo PSOL:

Para a campanha pelo governo do Estado, em 2006, foram entregues R$ 500 mil pela Mac Engenharia. Na reunião, estavam presentes Marcelo, Ferst, Chico Alencar, Aod Cunha, Delson Martini e Carlos Crusius.

Fumegeiras de Santa Cruz e Venâncio Aires entregaram duas parcelas de R$ 200 mil à campanha, na presença de Ferst e Aod, que enfatizaram o fato de que não dariam recibo por orem da então candidata Yeda Crusius.

O deputado José Otávio Germano doou R$ 400 mil para a campanha a título de “crédito político”, na presença de Marcelo, Ferst e a própria candidata.

Outro vídeo mostra toda a formatação da compra da casa da governadora eleita, com a entrega de R$ 400 mil em dinheiro. Estavam presentes Ferst e o corretor Alberti.

Já empossada, a governadora não aceita distribuição do lucro do esquema no Detran, pois considera R$ 100 mil mensais muito pouco. A reunião – única citada sem registro em vídeo – contou com Yeda, Ferst, Vaz Neto e Dorneu Maciel.

A secretária de Yeda, Walna, e Martini fazem a distribuição de “mensalinhos”, na presença de Marcelo e Ferst.

Humberto Busnello entrega R$ 100 mil para Aod, na presença de Ferst.

Conversa revela que contas particulares de pessoas ligadas ao governo, inclusive Yeda, são pagas por agências de publicidade, principalmente a DCS. Ferst e Marcelo aparecem no vídeo.

Ferst negocia reforma da casa da governadora com a Magna Engenharia.

Fonte: Liderança do PSOL