Luciana Genro

Luciana Genro

Luciana Genro tem 30 anos de vida pública. Foi deputada estadual por dois mandatos (1995-1998 e 1999-2002) e federal também por dois mandatos (2003-2006 e 2007-2010). Em 2008 disputou pela primeira vez a prefeitura de Porto Alegre, obtendo 10% dos votos. Foi professora de inglês, é advogada com pós-graduação em Direito Penal e mestranda em Filosofia do Direito na USP. Em 2010 fundou o Emancipa, cursinho gratuito preparatório para o ENEM para jovens carentes. É autora dos livros “A falência do PT e a atualidade da luta socialista”, em coautoria com Roberto Robaina (2004, LPM), e “Direitos Humanos, o Brasil no banco dos réus” (2012, LTr). Em 2014 foi candidata à presidência da República pelo PSOL, ficando em 4º lugar. Em 2015 coordenou a primeira bancada do PSOL na Assembleia Legislativa, liderada pelo deputado Pedro Ruas. Em 2016 Luciana foi candidata à prefeitura de Porto Alegre ao lado de Pedro Ruas como vice. Neste ano o PSOL aumentou em 50% sua bancada na Câmara Municipal, elegendo Roberto Robaina vereador e consagrando as reeleições de Fernanda Melchionna, a parlamentar mais votada da cidade, e do Prof. Alex Fraga.

  1. Primeiros passos
  2. O primeiro mandato
  3. O Mandato da Educação
  4. Fundação do PSOL
  5. Na Câmara Federal
  6. Luta contra a corrupção
  7. Eleição de 2006
  8. Disputa da prefeitura de Porto Alegre
  9. Eleições de 2010
  10. A luta pelos direitos políticos
  11. A criação do Emancipa-RS e a advocacia
  12. Junho de 2013
  13. A eleição presidencial de 2014
  14. As lutas de 2015
  15. Contra o impeachment, por eleições gerais
  16. A construção de um programa para Porto Alegre
  1. Luciana com seu pai, Tarso Genro, em maio de 1972, enquanto ele estava no exílio, no Uruguai.

    Primeiros passos

    A vida política de Luciana Genro começou cedo, aos 14 anos de idade, no colégio Júlio de Castilhos (Julinho), em Porto Alegre, escola estadual que sempre foi um reduto da militância estudantil. Luciana respirou política desde criança, através do pai, Tarso Genro , que exilou-se no Uruguai logo após seu nascimento, e do seu avô, Adelmo Genro ,  cassado pela ditadura quando era vice prefeito de Santa Maria. Em 1974, Tarso retornou ao Brasil e se mudou com a família para Porto Alegre, onde a mãe de Luciana, Sandra Genro, foi fazer a residência medica.

  2. Luciana, Roberto e o filho Fernando, nascido em 1988.

    O Julinho era lugar de efervescência do movimento estudantil. Foi lá que Luciana Genro iniciou sua militância e fez seu primeiro discurso, no dia 8 de março de 1985, Dia Internacional da Mulher. Mas antes disso, ainda no Colégio Maria Imaculada, onde estudou até a 8ª série, Luciana já tinha organizado um jornalzinho para politizar os alunos, chamado “Manifesto Estudantil”.

    Em 1988 Luciana ganhou seu maior presente: o nascimento de Fernando Marcel Genro Robaina, seu filho com Roberto Robaina, com quem viveu por 4 anos. Até hoje Luciana e Roberto seguem juntos como companheiros de militância no PSOL. Roberto é o presidente municipal do PSOL em Porto Alegre, dirigente nacional do partido e candidato a vereador nestas eleições.

  3. Casamento com Sérgio Bueno, em 1997.

    A vida profissional de Luciana começou em 1988, quando se tornou professora de inglês, tendo atuado em vários cursos, como a Cultura Inglesa, e no Colégio Israelita. Exerceu este oficio até 1994, quando foi eleita deputada estadual pela primeira vez. Foi na escola de inglês onde ela trabalhava que conheceu o jornalista Sérgio Bueno, seu marido até hoje, pai da Luísa, sua enteada.

  4. Juramento de posse do primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

    O primeiro mandato

    Em 1994, Luciana, que nunca tinha sido candidata, foi eleita deputada estadual. Era um momento no qual a juventude estava em ascensão. O Fora Collor tinha acontecido há poucos anos e o papel que a juventude desempenhou naquele momento inspirava os jovens a participar da política. Luciana foi eleita com 17 mil votos, assumindo seu primeiro mandato com apenas 24 anos.

    Enfrentou muitas dificuldades, até porque ser mulher, jovem e filha de um político muito conhecido é uma combinação de elementos que alimenta o preconceito. As mulheres e os jovens na política sempre sofrem preconceito.

    Mas isso foi superado, porque em seguida Luciana conseguiu mostrar que não tinha caído de paraquedas na política. Seu primeiro mandato foi marcado pelas denúncias que Luciana fez, mostrando a corrupção na CORSAN, a Companhia de Saneamento do Estado. A denúncia acabou se comprovando alguns anos depois e com o episódio, a jovem deputada conseguiu mostrar sua disposição em enfrentar as máfias que se apropriam do dinheiro público.

  5. Posse do segundo mandato de Luciana como deputada estadual, em 1999.

    O Mandato da Educação

    Em 1998 Luciana Genro foi reeleita com o dobro da votação que havia obtido em sua primeira eleição. Nesse ano, no governo Olívio Dutra, do PT, houve uma greve longa e dura dos trabalhadores da educação dirigida pelo CPERS. Durante a greve, entrou em votação na Assembleia uma reivindicação que era pauta dos trabalhadores, mas o governo Olívio queria que a bancada do PT votasse contra a demanda dos professores. A bancada, depois de uma discussão muito acirrada, decidiu acatar a decisão do governo e votar contra. Mas Luciana não aceitou dar o seu voto contra os interesses dos professores em greve e acabou sendo punida com um mês sem o direito de falar em nome do Partido e com a saída da vice-presidência da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, que ocupava em nome do PT.

    Nesse episódio, teve oportunidade de mostrar que o seu mandato estava a serviço dos trabalhadores e que não iria mudar de lado, não iria ceder às pressões do Governo para ficar de bem com o poder, traindo seus compromissos. Foi uma prévia do que aconteceu depois, no governo Lula.

  6. Babá, Heloísa Helena, Luciana Genro e João Fontes, em 2003.

    Fundação do PSOL

    Em 2002, o PT já não era o mesmo de 1989, 1994 e de 1998. Avançava um processo de degeneração e de abandono de importantes pontos programáticos.

    Já na campanha de 2002 Luciana alertava: ou o governo Lula vai cumprir seu compromisso de mudança ou vai cumprir seu compromisso com os banqueiros. A Carta aos Brasileiros afirmava o compromisso do governo de manter a política econômica do Fernando Henrique Cardoso, o que de fato aconteceu. O Lula colocou Henrique Meirelles, que veio do Bank of Boston e era deputado federal eleito pelo PSDB, no Banco Central, e o PT apoiou José Sarney na presidência do Senado. Então, Luciana, Heloísa Helena e Babá entraram em choque direto com o governo.

    O momento mais tenso desse embate foi quando o governo enviou a proposta de reforma da previdência para a Câmara e queria que todos os deputados do PT votassem a favor. Era uma reforma que tiraria direitos dos servidores públicos e instituiria a cobrança de contribuição dos já aposentados.

    Luciana Genro, Heloísa Helena, Babá e João Fontes não se submeteram e votaram contra essa reforma. Acabaram sendo expulsos do PT. Os que prepararam e executaram essa expulsão foram José Dirceu e José Genoíno. Foi uma luta muito dura, mas desde o momento em que tiveram certeza de que seriam expulsos do PT, começaram a preparar a construção de um novo partido. Por isso, no dia em que foram expulsos, o PSOL já estava nascendo, pois sabiam que era necessário dar continuidade às bandeiras abandonadas pelo PT. Fruto desta experiência política, Luciana escreveu, junto com Roberto Robaina, o livro “A falência do PT e a atualidade da luta socialista” (LPM).

    Em 2004 ocorreu a campanha pelas assinaturas para legalização do partido. Foi o primeiro partido submetido a nova lei que exige meio milhão de assinaturas. Então não foi um processo fácil, levou praticamente um ano para ser concluído.

    No final de 2005 o PSOL foi legalizado e oficialmente fundado.

  7. Luciana Genro foi deputada federal por dois mandatos, de 2003 a 2010 (Crédito: Rodolfo Stuckert/Agência Câmara)

    Na Câmara Federal

    O primeiro mandato de Luciana Genro como deputada federal foi marcado por este embate político com o governo Lula e pela construção do novo partido. Mas também apresentou vários projetos de lei na Câmara Federal. Um deles, que conseguiu aprovar na Câmara e que acabou congelado no Senado, é o projeto para que bancos paguem os impostos sobre operações de leasing no local onde estão instalados e não onde está sua matriz, beneficiando municípios como Porto Alegre que não são sedes da matriz dos bancos.

    Outro projeto que também conseguiu aprovar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara regulamenta impostos sobre as grandes fortunas, já que a Constituição de 1988 criou esse imposto, mas, por não haver uma regulamentação, ele nunca foi cobrado. Toda a burguesia e as elites econômicas do país se voltaram para a Câmara Federal quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou essa proposta. Obviamente que a proposta não andou mais.

    Luciana participou também, como membro titular, da Comissão da Reforma Tributária, onde apresentou vários projetos que mudariam a estrutura da tributação no Brasil, que é extremamente injusta, por tributar em excesso o trabalho e o consumo e tributar pouco a riqueza e a propriedade. Várias das propostas que Luciana apresentou também tratavam da tributação dos bancos, fazendo com que eles paguem mais impostos e sejam extintas certas isenções, como a que isenta de impostos os estrangeiros que investem na bolsa de valores. Outras propostas iam no sentido de desonerar os trabalhadores e a classe média, como o reajuste da tabela do Imposto de Renda.

  8. Em 2008 Luciana Genro recebeu o prêmio de melhor deputada do Congresso em Foco (Crédito: Paulo Negreiros/Congresso em Foco)

    Foi membro titular da CPI do Apagão Aéreo, uma experiência muito importante e ao mesmo tempo dolorida, já que teve que lidar diretamente com uma tragédia que aconteceu no meio da CPI, que foi o acidente com o avião da TAM. Um pouco antes já havia caído o avião da GOL e também havia acontecido uma inédita paralisação dos controladores de vôo quando a CPI foi instalada.

    Nessa comissão Luciana apresentou um relatório paralelo ao do deputado Marco Maia, então relator da CPI. Esse relatório incorporou as questões trazidas pelos controladores de vôo, pelos familiares das vítimas dos acidentes e demonstrou que o relatório oficial estava protegendo as autoridades, o comando da Aeronáutica e da Infraero. O relatório de Luciana Genro acabou, em vários aspectos, sendo confirmado pelas investigações da polícia, além de servir, ainda, de base jurídica para a luta que os familiares dos mortos no acidente da TAM travam na justiça para buscar indenizações, mas principalmente a punição dos responsáveis por aquela tragédia. Graças a este trabalho, Luciana foi homenageada pela associação dos familiares das vítimas do acidente da TAM e também ficou conhecida como a “madrinha” dos controladores de vôo.

  9. Lavando o Congresso Nacional durante o Escândalo do Mensalão, em 2005.

    Luta contra a corrupção

    A luta contra a corrupção foi uma marca desde o primeiro mandato de Luciana Genro como deputada federal. O Brasil foi sacudido por denúncias que envolviam diretamente o PT, o chamado escândalo do Mensalão. Grande parte dos envolvidos foram julgados no Conselho de Ética da Câmara e seus pedidos de cassação encaminhados para o plenário, no qual o voto ainda era secreto. Luciana e mais 2 ou 3 parlamentares, fizeram questão de ir à tribuna em todos os episódios e abrir o voto pela cassação de todos os envolvidos.

    Luciana Genro sempre votou pela cassação de todos os corruptos na Câmara

    Foi um momento crítico na política nacional, novas levas de petistas romperam com o partido e se somaram à construção do PSOL e o partido se credenciou nessa pauta, mostrando ser coerente na luta contra a corrupção, não importando se é promovida pelo PSDB, PT, ou qualquer outro partido. O PSOL foi o partido que representou na Câmara contra Sarney, contra Renan Calheiros e neste último episódio do escândalo de Eduardo Cunha também foi o autor do pedido de cassação.

  10. Luciana Genro ao lado de Heloísa Helena e Roberto Robaina.

    Eleição de 2006

    A eleição de 2006 foi uma oportunidade do PSOL se credenciar e mostrar que se apresentava como uma alternativa de poder para o Brasil. A disposição da Heloísa Helena de se colocar como candidata à presidência foi fundamental para que o PSOL se afirmasse de fato como uma alternativa política real. Foi também o momento em que Luciana Genro se reelegeu deputada federal pelo Rio Grande do Sul, desta vez pelo PSOL, com mais de 185 mil votos. Uma das maiores votações.

  11. Em 2008, na eleição de Pedro Ruas e Fernanda à Câmara Municipal de Porto Alegre.

    Disputa da prefeitura de Porto Alegre

    Concorrer a prefeitura de Porto Alegre foi uma grande experiência para Luciana Genro. Ela não queria que a sua candidatura fosse apenas para marcar posição, e encarou o desafio de colocar o PSOL como alternativa real de poder na cidade.

    Foi uma grande campanha, que acabou elegendo dois vereadores, o que foi um feito para o PSOL, que disputava a sua primeira eleição municipal. Pedro Ruas foi o segundo mais votado de Porto Alegre. Hoje é deputado estadual e vice de Luciana Genro na campanha deste ano. Fernanda Melchionna, uma mulher, jovem e combativa, também foi eleita graças a essa enorme votação para o PSOL. Em 2008, Luciana Genro obteve quase 10% dos votos, mesmo com uma estrutura de campanha muito pequena e muito desigual em relação às outras candidaturas que, com dez vezes mais recursos, conseguiram ficar pouco à frente de Luciana.

  12. Em 2010, Luciana Genro concorreu novamente à Câmara dos Deputados, enquanto Pedro Ruas disputou o governo do Estado (Crédito: Hugo Scotte)

    Eleições de 2010

    Foi uma campanha difícil para o PSOL pois o povo queria se ver livre da Yeda Crusius (governadora do RS entre 2006 e 2010  —  filiada ao PSDB) e o PT era o partido que aparecia como alternativa, tanto que Tarso acabou ganhando no primeiro turno. Mas o PSOL recebeu um enorme apoio nas ruas e cresceu em termos de militância.

    O PSOL foi decisivo na luta contra Yeda. Ao longo do ano de 2009 fez as denúncias que demonstraram ao povo que uma gangue estava instalada no governo do Estado. Até o Ministério Público pediu o afastamento da Yeda, mas a Justiça não aceitou. Na Assembleia Legislativa a maioria governista inviabilizou o impeachment.

    Neste ano Luciana Genro acabou não sendo reeleita, mesmo tendo sido a oitava pessoa mais votada no Rio Grande do Sul e a segunda mais votada em Porto Alegre, com 130 mil votos. Por seu pai ter sido eleito governador, ficou inelegível para qualquer cargo no Rio Grande do Sul.

  13. Em 2012, Luciana Genro se empenhou em uma luta política e jurídica por seu direito de ser candidata a vereadora de Porto Alegre (Crédito: Luciano Victorino)

    A luta pelos direitos políticos

    Já no final de 2010 Luciana Genro iniciou uma campanha pelos seus direitos políticos, fazendo um movimento político e jurídico para que pudesse ter seu direito de candidatura assegurado. Nesta caminhada, contou com o apoio de personalidades dos mais diversos partidos, que compreendiam a sua autonomia em relação a carreira política de seu pai, já que, antes dele se eleger governador Luciana já tinha 16 anos de mandato, com uma trajetória política totalmente independente da dele, inclusive tendo sido expulsa do partido dele. Mas a Justiça preferiu aplicar a lei cegamente, sem considerar a especificidade da situação de Luciana.

  14. Luciana Genro é fundadora e foi professora do cursinho popular Emancipa-RS, que prepara jovens para o vestibular e o ENEM.

    A criação do Emancipa-RS e a advocacia

    Um dos maiores orgulhos da vida de Luciana Genro ocorreu justamente em um período de sua vida em que ela não detinha um mandato parlamentar, comprovando que sempre foi uma militante política, não uma pessoa que faz da política a sua carreira. A criação do cursinho popular pré-vestibular e pré-ENEM, o Emancipa-RS, em Porto Alegre.

    O Emancipa-RS funciona com verbas exclusivamente privadas, sem nenhum centavo de dinheiro público, qualificando o atendimento aos estudantes a partir da profissionalização dos professores - que, em geral, não são remunerados em cursinhos populares, mas no Emancipa-RS são, graças às verbas privadas que foram arrecadadas. Além de ter sido fundadora, Luciana foi coordenadora e professora do cursinho. Até hoje, o Emancipa-RS beneficia centenas de estudantes de baixa renda, que conseguem ingressar na universidade graças ao cursinho.

    Ainda em 2011, Luciana se tornou advogada, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS e sócia do escritório Genro e Genro — Advocacia dos Direitos Constitucionais. Também lançou o livro “Direitos Humanos: O Brasil no Banco dos Réus (ed. LTR)”, no qual faz uma avaliação sobre a Lei da Anistia e a impunidade dos torturadores. Sua carreira profissional como advogada ainda foi enriquecida por uma pós-graduação em direito penal, concluída em 2014, e com o ingresso no mestrado em Filosofia do Direito da USP, neste mesmo ano.

  15. Revolta juvenil e popular de junho de 2013 levou milhões às ruas do país (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

    Junho de 2013

    2013 foi um ano atípico. As mobilizações que se iniciaram em Porto Alegre, na luta contra o aumento da passagem de ônibus, em dois meses já haviam se disseminado pelo país e atingiram seu auge durante a Copa das Confederações.

    A população brasileira, farta das altas tarifas e de péssimos serviços, se rebelou e demonstrou nas ruas seu descontentamento com um modelo que não promoveu nenhuma mudança estrutural na vida dos trabalhadores das grandes cidades. A contradição principal entre o modelo de acumulação, baseado nos investimentos públicos beneficiando grandes empreiteiras e consórcios de “logística”, explodiu em dois temas centrais: o transporte e os gastos com a Copa.

    Junho de 2013 foi um grande levante juvenil e popular no qual o povo mostrou sua força, com mobilizações em quase todas as cidades do país. Tudo começou em Porto Alegre, quando uma grande manifestação juvenil, combinada com uma ação judicial do PSOL, conseguiu derrubar o aumento das passagens de ônibus na cidade. A revolta se espalhou pelo país, tomando conta de todas as capitais e de muitas cidades do interior, com milhões de pessoas indo às ruas contra uma casta política apodrecida, que não mais os representava. O PSOL esteve presente nas manifestações em todo o país. Em Porto Alegre Luciana chegou a ver de perto a repressão policial, recebendo as bombas de gás lacrimogêneo ao lado dos manifestantes.

  16. Em 2014, Luciana Genro conquistou 1.612.186 votos e ficou em quarto lugar na eleição presidencial.

    A eleição presidencial de 2014

    Em 2014, Luciana Genro encarou o desafio de representar o PSOL na disputa pela Presidência da República, obtendo 1.612.186 votos e ficando em quarto lugar. A campanha de Luciana foi um importante epicentro de mobilização em torno de bandeiras de esquerda que empolgaram a juventude e todos aqueles que desejavam uma alternativa conectada com as demandas apresentadas em junho de 2013.

    Em seu programa de governo e durante a participação nos debates, Luciana Genro representou uma alternativa ao governo do PT e à velha direita liderada pelo PSDB. Esta alternativa ficou expressa na denúncia da corrupção cometida por ambos os partidos, sintetizada em uma frase: “É o sujo falando do mal lavado”, dita após a troca de acusações mútuas entre petistas e tucanos.

  17. Grande comício realizado na campanha de 2014 no Rio de Janeiro.

    Em 2014 o PSOL empunhou nas eleições a defesa de uma revolução tributária no país, com a taxação das grandes fortunas e o alívio na tributação sobre o salário e o consumo, a luta por mais direitos para a população LGBT, para as mulheres e para os negros e negras. Luciana Genro foi a primeira candidata presidencial da história do Brasil a colocar o tema da homofobia e da transfobia nos debates de televisão, tornando-se uma referência nacional para toda a comunidade LGBT brasileira.

    Outro episódio célebre das eleições de 2014 foi o momento em que Luciana Genro mandou Aécio Neves, do PSDB, abaixar o dedo que ele havia levantado para ela. “Não levante esse dedo para mim”, disse Luciana, transformando a frase em um símbolo da luta das mulheres contra o machismo. E ao abrir o debate da Rede Globo, o último do primeiro turno, Luciana fez um forte discurso contra o monopólio da mídia e o bloqueio que o PSOL sofreu durante a campanha pela própria Globo, que realizou uma cobertura completamente desigual das candidaturas.

  18. Na Parada LGBT de Porto Alegre, recebendo o apoio da comunidade LGBT.

    As lutas de 2015

    Em 2015, Luciana Genro atuou como coordenadora da primeira bancada do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, liderada pelo deputado Pedro Ruas, que hoje é seu vice na campanha municipal. Ao lado de Ruas, Luciana esteve na linha de frente da oposição ao governo de José Ivo Sartori, do PMDB, que parcela salários de servidores e promove um verdadeiro desmonte da segurança pública, traduzindo-se em uma sensação permanente de medo na vida dos porto-alegrenses.

  19. Lançamento da Cartilha das Mulheres, organizada por Luciana, na coordenação da Bancada do PSOL na Assembleia Legislativa.

    Foi também como coordenadora da Bancada do PSOL que Luciana organizou a edição de duas publicações fundamentais para a luta por mais direitos: a Cartilha LGBT e a Cartilha de Mulheres. Ambas contam com a lista de legislações que já asseguram alguns direitos a mulheres e LGBTs, dicas de filmes e livros e textos com análises políticas sobre os temas, além de contribuições de personalidades como Maria Berenice Dias, Márcia Tiburi e Rosana Pinheiro-Machado.

    2015 foi um ano de muitas lutas, em que uma herança de junho de 2013 desabrochou em diversos setores. No movimento feminista, as mulheres protagonizaram as mobilizações pelo Fora Cunha, liderando marchas multitudinárias contra o político, que está agora em vias de finalmente ser cassado graças a um pedido feito pelo PSOL na Câmara. E a juventude sacudiu o país com as ocupações de escola, que começaram em São Paulo e se espalharam para outros estados.

  20. Luciana Genro é contra o impeachment, faz oposição ao governo Temer e defende novas eleições gerais para o país.

    Contra o impeachment, por eleições gerais

    A crise política que paralisou o Brasil encontrou no PSOL um combatente fervoroso contra o PMDB e o governo de Michel Temer. Desde o início, quando o impeachment de Dilma Rousseff foi protocolado por Eduardo Cunha, Luciana Genro tem defendido que a saída passa por novas eleições gerais no país.

    Luciana Genro foi uma das únicas personalidades políticas do país a apoiar integralmente a Operação Lava Jato, defendendo a investigação de todos os corruptos, doa a quem doer. A Lava Jato demonstra que a casta política adota a corrupção como um método de governo, seja este governo liderado pelo PT, seja pelo PSDB. Diante disto, o povo deve decidir qual a melhor saída para a crise, pois é do povo a soberania sobre os mandatos dos políticos.

  21. Em março foi lançada a plataforma Compartilhe a Mudança, que recebeu mais de 300 propostas da cidadania para o programa de governo (Crédito: Fernanda Piccolo)

    A construção de um programa para Porto Alegre

    O ano de 2016 começou com um desafio enorme, para o qual Luciana Genro se dedicou integralmente: a construção de um programa de governo para Porto Alegre. Em março, foi lançada a plataforma Compartilhe a Mudança, que chamou a cidadania a contribuir para a elaboração deste programa.

  22. Encontro com artistas para construir um programa de governo para a cultura.

    Pela plataforma, que estava dividida em 29 grandes áreas, era possível que qualquer pessoa deixasse suas sugestões e propostas, sem nenhum tipo de mediação. Ao longo do ano inteiro, foram centenas de ideias cadastradas pela população. Mas a construção programática não se limitou apenas a uma plataforma virtual. Em 2016, Luciana Genro percorreu a cidade em dezenas de reuniões presenciais, ouvindo especialistas, trabalhadores e usuários dos serviços públicos do município. Além disso, foram realizados encontros temáticos e dezenas de reuniões para debater temas como o direito à cidade, saúde, segurança, educação, assistência social, precarização do trabalho, situação dos municipários, reciclagem, meio ambiente, planejamento urbano, direitos dos LGBTs , direitos das mulheres e até dos animais. Também aconteceram visitas e reuniões nos bairros mais pobres da cidade, como a Restinga, Sarandi e o Rubem Berta, para Luciana ver de perto os problemas. Estes encontros reuniram milhares de militantes, gente simples do povo e contaram com a participação de especialistas, professores, médicos e pesquisadores.

  23. Ao lado do vice, o deputado Pedro Ruas, na Convenção do PSOL (Crédito: Guilherme Gomes/Sul21)

    O resultado deste trabalho foi a elaboração de um programa de governo com mais de 300 propostas para mudar a cidade. Luciana Genro e Pedro Ruas ingressaram nesta disputa como a chapa mais preparada e com o melhor programa para governar Porto Alegre e fazer as mudanças que o povo precisa. O PSOL cresceu na eleição de 2016, consolidando-se como a principal força política da esquerda na cidade e aumentando sua bancada na Câmara Municipal, elegendo Roberto Robaina vereador e consagrando as reeleições de Fernanda Melchionna, a parlamentar mais votada da cidade, e do Prof. Alex Fraga.

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