Ao lado de uma centena de moradores e representações populares e políticas de Arroio dos Ratos, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) esteve no município para participar de um encontro promovido pela Comissão de Moradores que denuncia a exploração indevida da região pela mineradora Copelmi. Diante da gravidade das novas denúncias apresentadas durante a reunião, o principal objetivo de mais um encontro do grupo foi cobrar maior celeridade na adoção de providências no processo em curso, especialmente no que se refere à análise dos elementos já apresentados pela comunidade ao Ministério Público que contestam as conclusões apresentadas pela Copelmi sobre sua atuação no território.
“Estamos diante de conclusões apresentadas em relatório que não dialogam com o que vem sendo registrado pela comunidade ao longo dos últimos anos, e isso precisa ser esclarecido com urgência. Há um acúmulo de evidências, dados e registros produzidos por essa comissão que apontam para uma realidade muito distinta daquela apresentada no relatório”, pontuou a parlamentar. “Não é aceitável que um documento dessa importância desconsidere esse histórico e evidências, enquanto a população segue exposta a riscos reais. Estamos falando da necessidade de agir agora, de forma responsável e imediata, para evitar que novas tragédias ou, possivelmente, ainda mais graves venham a acontecer em Arroio dos Ratos”, defendeu Luciana Genro.
A deputada se manifestou de maneira incisiva no encontro realizado na Câmara de Vereadores de Arroio dos Ratos após a apresentação de imagens que evidenciam não apenas profundas alterações no relevo da região, mas também novos e alarmantes indícios. Entre eles, destaca-se a possibilidade de extravasamento de rejeitos da mineração, atualmente armazenados em imensas piscinas a céu aberto, cercadas por barragens que, segundo os relatos apresentados, foram construídas de forma precária pela empresa.
Segundo os moradores, o estrangulamento das margens do arroio, que foi provocado pela atividade da mineradora, podem fazer com que, em períodos de chuvas intensas como os registrados nas enchentes de 2024, essa água poluída com metais pesados e outras substâncias nocivas a vida seja direcionada para essas estruturas, aumentando o risco de contaminação do solo e das águas.
“Com as imagens que coletamos no mês de abril deste ano, fica cada vez mais claro como a atuação da mineradora tem reduzido drasticamente o espaço de extravasamento das águas da chuvas, não só alterando drasticamente o curso das áreas naturais de contenção como colocado nessa rota os rejeitos químicos da ação da empresa”, lamentou Gilmar Tassoni, membro da Comissão de Moradores. “Como consequência, além do aumento significativo da força e do volume do arroio que causou o alagamento da nossa região há dois anos, agora podemos ter a nossa área contaminada por décadas se algo semelhante voltar a acontecer”, finalizou.

Ao longo dos últimos anos, os moradores vêm realizando um trabalho sistemático de monitoramento e investigação comunitária sobre as transformações no território. Entre os elementos reunidos estão registros fotográficos, relatos e análises por imagens de satélite, que indicam que a Copelmi já explorou cerca de 285 hectares da região. Apesar disso, segundo a empresa, não há relação entre a atividade mineradora e os riscos de enchentes ou danos ambientais, o que reforça, para os moradores, a necessidade de uma revisão do relatório que foi apresentado ao Ministério Público.
Outro ponto de crítica levantado durante o encontro foi a ausência da Comissão de Moradores no processo de vistoria. “Nenhum integrante da comissão foi chamado para participar, sendo que somos nós que acompanhamos diariamente o que acontece ali. Temos elementos concretos para refutar argumentos que consideramos inconsistentes ou até mentirosos”, afirmou Mateus Barros, também membro da comissão.
Mateus ainda lamentou a postura da Prefeitura, que, segundo ele, não tem assumido o papel de protagonismo esperado na articulação das discussões. “Apesar de ter participado de reuniões com órgãos como a Sema e a FEPAM, a gestão municipal esteve presente apenas como convidada. Essas agendas só foram viabilizadas a partir da atuação da deputada Luciana Genro, que acompanha o caso desde o ano passado e tem sido uma das principais articuladoras das mobilizações”, pontuou.

Assim sendo, Luciana Genro destacou a importância da mobilização popular como ferramenta de pressão para garantir transparência e responsabilização. “É fundamental que toda e qualquer documentação seja apresentada à população para esclarecer as divergências que existem entre o que a comunidade vem denunciando, com base em evidências concretas, e o que a empresa afirma. A população tem o direito de saber o que está acontecendo com seu território, mas para isso precisa cobrar seus representantes”, afirmou.
Como encaminhamento do encontro, a parlamentar anunciou que irá protocolar uma representação junto ao Ministério Público solicitando intervenção urgente diante das novas denúncias apresentadas pela comunidade. O documento também contará com as imagens feitas recentemente pela comissão que foram captadas neste mês e que reforçam o caráter emergencial da situação.
Também participaram da reunião, os vereadores Felipe Athanázio Vieira (PDT), Gabriela Radi Silveira (PP), Neida Lima (PP) Ritti Barreto (PSB), Ricardo Pires (PSB), Tiago Ramos (PL) e José Hélio (MDB).



Imagens do local de atuação da mineradora Copelmi na cidade feitas pela Comissão de Moradores de Arroio dos Ratos em abril deste ano (2026)