Luciana Genro

Desvio de recursos públicos e terceirização prejudicam atendimento de saúde em Canoas

06 de dezembro de 2018 10h09


Funcionários estão mobilizados para exigir seus salários atrasados, por causa do desvio do recurso público. Foto: Sindisaúde-RS

Há um bom tempo criticamos a terceirização dos serviços da saúde, por causa das denúncias de corrupção desses contratos com as prefeituras e pela precariedade e falta de especialização no atendimento prestado à população. E em Canoas, com a prisão de três suspeitos de envolvimento em fraude no contrato do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) com a prefeitura, não foi diferente. Enquanto os atendimentos foram reduzidos nos últimos dias no Hospital de Pronto Socorro e no Hospital Universitário e os funcionários com salários atrasados entraram em greve, os integrantes do Gamp, gestor de quase metade dos serviços de saúde da cidade, vinham enchendo os bolsos com desvios de recursos públicos há pelo menos dois anos.

Cássio Souto Santos, médico fundador do Gamp e que ganhava R$ 90 mil por mês pelo contrato com a prefeitura de Canoas, foi um dos presos em operação do Ministério Público nesta quinta. Foram presos ainda o ex-secretário de Saúde de Canoas Marcelo Bósio, que participou da contratação do Gamp, e a atual presidente do grupo, Michele Aparecida da Câmara Rosin.

O Gamp tem um contrato de R$ 1 bilhão com a prefeitura de Canoas, válido por cinco anos. Desde que esse contrato foi firmado, em dezembro de 2016, as irregularidades são investigadas. E vão desde o desvio do repasse público destinado para o salário dos funcionários, passando pelo superfaturamento de medicamentos – o Ministério Público aponta que os remédios eram comprados por até 17 mil vezes mais do que o valor normal – chegando até ao pagamento de aluguel, reformas e compra de móveis para a sede luxuosa do Gamp instalada em São Paulo.

Na quarta, o presidente do PSOL-RS, Israel Dutra, e um dos líderes do nosso partido, Etevaldo Teixeira, estiveram em reunião com os trabalhadores e com o Sindisaúde-RS. São pelos menos 300 trabalhadores mobilizados pelos seus direitos. Eles são contratados pelo Gamp e estão com salários, vale alimentação, vale transporte e a primeira parcela do 13º salário atrasados. Com a paralisação, que teve a adesão de profissionais de quase metade dos postos de saúde e dos hospitais, a previsão é de que ocorra o pagamento dos salários de quem ganha até R$ 7 mil. Uma assembleia na noite desta quinta vai debater as propostas mais uma vez.

Mesmo com as prisões dessa quadrilha que tanto prejudicou a saúde de Canoas e os trabalhadores, vamos seguir exigindo transparência nos repasses dos governos às empresas terceirizadas e a garantia do pagamento dos salários dos servidores. É inadmissível que a população e os funcionários públicos sigam sendo penalizados com esses desvios que enriquecem fraudadores, parentes e gestores públicos! Essa corrupção precisa ser punida e o dinheiro roubado devolvido e aplicado nos serviços para a população!