Luciana Genro

A morte da Nova República, por Vladimir Safatle

14 de novembro de 2018 18h01

Por Luciana Genro

Neste feriado de proclamação da República, resgato as palavras do filósofo Vladimir Safatle escritas em 2015, mas completamente atuais. Esta República que substituiu uma monarquia carcomida teve muitos ciclos, o último deles chamado de Nova República, marcado pelos acordos e conciliações após o fim da ditadura civil-militar. Este ciclo também chega ao fim, e sua morte já estava sendo anunciada há muito tempo. Vladimir Safatle:

“Sim, nenhuma reflexão política sobre a situação brasileira atual pode dar conta da realidade se não partir de uma constatação clara a respeito do fim da Nova República. De fato, não é apenas o ciclo de desenvolvimento do lulismo que acabou. O modelo de governabilidade sintetizado no fim da ditadura militar, com sua dinâmica de conflitos, suas polaridades e projetos, não faz mais sentido algum. Nesse sentido, de nada adianta alimentar a ilusão de que o Brasil anda lentamente em direção ao ‘aperfeiçoamento democrático’ e à ‘consolidação de suas instituições’. Difícil falar em aperfeiçoamento quando se percebe a impossibilidade da estrutura institucional brasileira em aumentar a densidade da participação popular nos processos decisórios do Estado, a permeabilidade da partidocracia brasileira a interesses econômicos, sua corruptibilidade como condição geral de funcionamento e sua representação imune a qualquer crítica às distorções.”