Luciana Genro

Viva Fidel, comandante da luta pela libertação latino-americana!

26 de novembro de 2016 10h30
Foto: Arquivo Pessoal

“Fidel e a revolução Cubana nos ajudaram a manter viva a ideia da emancipação humana” | Foto: Arquivo Pessoal

Por Luciana Genro

Hoje é um dia histórico. Morreu Fidel Castro, o principal líder da primeira revolução socialista que aconteceu no nosso continente. Sua morte é a morte de um dos líderes mais importantes do século XX. Fidel foi o comandante da luta pela libertação, pela soberania e independência latino-americana. Para conquistar a soberania Fidel fez uma revolução socialista. Foi o parceiro do maior símbolo do internacionalismo comunista: Che Guevara. Os dois, líderes de uma revolução que foi uma experiência valiosa.

Cuba conquistou sua soberania pela força da mobilização do seu povo. A vitória da guerrilha de Fidel e Che Guevara foi o coroamento de uma luta de massas que derrubou uma ditadura sangrenta que fazia do país o quintal de recreação da burguesia americana, à custa da pobreza extrema dos cubanos.

A pressão imperialista sobre esta pequena ilha a levou ao isolamento. O aparato do stalinismo não deu um apoio desinteressado. A burocracia e a burocratização era o preço, com toda carga do controle e a desigualdade. Com todas estas dificuldades, Cuba obteve conquistas materiais que foram fundamentais. Basta ver o apoio que os médicos cubanos receberam do povo no Brasil.

Eu me sinto parte deste processo latino-americano de luta pela libertação que Fidel e Che Guevara representaram em Cuba. Luta que se expressou também na Venezuela e outros países do nosso continente. Recebi Chávez no Fórum Social Mundial em Porto Alegre em janeiro de 2003. Estive na Venezuela junto com Eduardo Galeano para apoiar o processo. Estive na Bolívia para apoiar Evo Morales. Encontrei Rafael Correa em Brasília para levar o apoio do PSOL à luta dos equatorianos. Também estive em Cuba em janeiro de 2012.

Ajudei a fundar o PSOL inspirada pelas lutas socialistas do nosso continente e do mundo. Entre erros e acertos seguiremos lutando.

Um dos maiores filósofos franceses da atualidade, Alain Badiou, escreveu um pequeno grande livro chamado “A hipótese Comunista”. Neste livro ele diz que o aparente fracasso, às vezes sangrento, de acontecimentos ligados à hipótese comunista foram e ainda são etapas de sua história. Comunismo que hoje não pode ser identificado com nenhum regime político mas sim com uma ideia, a ideia da emancipação humana. Se vivermos sem ideia, vivemos no vazio, no niilismo e consequentemente na crueldade sem limites.

Fidel e a revolução cubana nos ajudaram a manter viva a ideia da emancipação humana. Hoje, no momento de sua morte corporal, vivemos um momento de crise da esquerda no Brasil, causada em grande medida pelo fracasso da experiência petista no governo. Mas a revolução cubana nos inspira a seguir acreditando, a seguir lutando. Os erros não vão nos fazer abandonar a hipótese, ao contrário, eles são parte da construção desta verdade. A emancipação humana é um processo de verdade que ainda está em curso.