Luciana Genro

‘Não existe menos pior em Porto Alegre. Melo e Marchezan representam o mesmo projeto’, diz Luciana em entrevista ao Sul21

07 de outubro de 2016 09h38

Luciana Genro concedeu entrevista ao repórter Marco Weissheimer, do site de notícias Sul21, para avaliar o cenário político de Porto Alegre e do país após o primeiro turno das eleições municipais. Confira abaixo a íntegra da entrevista, originalmente publicada neste link.

O PSOL não apoiará nenhuma candidatura no segundo turno em Porto Alegre por entender que o PMDB e os PSDB representam o mesmo projeto político para a cidade e para o país. Essa decisão será oficializada sábado (8), durante reunião do Diretório Estadual do partido. “Não existe menos pior em Porto Alegre. Melo e Marchezan representam o mesmo modelo político. Ambos vão trabalhar privilegiando grandes grupos empresariais, loteando a máquina pública e desestruturando os serviços públicos”, diz Luciana Genro. A candidata do PSOL na capital gaúcha destaca que o PP, que está com Marchezan, está com Melo na Prefeitura e aparece relacionado com os escândalos de corrupção na Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania) e no DEP (Departamento de Esgotos Pluviais).

Luciana Genro avalia que o resultado da eleição em Porto Alegre refletiu o peso que a televisão ainda exerce nas campanhas eleitorais. “A candidatura de Marchezan, que acabou passando para o segundo turno como sendo de oposição, mostra a força que a TV ainda tem. Foi um embate muito desigual. Nós tínhamos apenas 12 segundos de TV e duas inserções diárias. Nós tínhamos uma expectativa de que poderíamos compensar esses desequilíbrios com as redes sociais. Embora tenhamos tido a presença mais forte nas redes e nas ruas, isso não foi suficiente para enfrentar a combinação do poder da TV com a da maquinaria governamental e do poder econômico. No dia da eleição, as candidaturas de Marchezan e de Maurício (Dziedricki) tinham muitas pessoas contratadas para fazer boca de urna pela cidade”.

A candidata do PSOL também acredita que a eleição mostrou que o PT ainda tem um eleitorado fiel na cidade, mas não tem mais força para liderar um processo de mudança em Porto Alegre. “Os 16% que o Raul teve nas urnas não apareceram nas ruas. O PT acabou funcionando como uma âncora que impediu que minha candidatura se tornasse uma candidatura movimento capaz de criar uma maioria na cidade”, defende. Apesar da derrota, Luciana Genro considera que o resultado da eleição representou uma vitória para o projeto político do PSOL.

“A eleição em Porto Alegre foi uma janela de oportunidade para o PSOL. Tínhamos a possibilidade de vencer e construímos um programa de governo para isso. Quero fazer um agradecimento aos mais de 80 mil votos que a nossa candidatura teve. Eu me sinto vitoriosa pelo crescimento que o PSOL teve na cidade. Tivemos a vereadora mais votada e aumentamos a nossa bancada para três cadeiras. Nosso projeto saiu fortalecido”, diz Luciana que, na segunda-feira viaja para o Rio de Janeiro para trabalhar na campanha de Marcelo Freixo no segundo turno.

Quanto ao cenário nacional, Luciana Genro prevê dias difíceis para toda a esquerda brasileira no próximo período. “O fato de o PT ter se degenerado em nível nacional enfraqueceu toda a esquerda. Não acredito que exista uma identidade da maioria da população com a direita. O que há é um voto de castigo contra o PT, partido que nasceu e cresceu com a bandeira da luta contra a corrupção”. Luciana considerou muito positiva a entrevista concedida por Olívio Dutra esta semana à rádio Gaúcha, falando sobre esse processo.

“O que o Olívio disse é muito positivo. Inclusive, liguei para parabeniza-lo pela entrevista. Existe sim uma exploração midiática e uma seletividade judicial contra o PT, mas há lideranças do partido que cometeram crimes. O que o Olívio e o próprio Tarso vêm dizendo abre um espaço importante para dialogarmos”, diz ainda Luciana que vê com simpatia a proposta de se começar a debater a construção de uma nova frente de esquerda no Brasil. “A conjuntura que se abre agora é muito difícil. Provavelmente vão se fechar ainda mais os espaços eleitorais para a esquerda. Já estão falando de introduzir novas cláusulas de barreira.

Temos uma dura agenda pela frente, com as propostas de Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista propostas pelo governo Temer. Do mesmo modo, isso se aplica aqui no Rio Grande do Sul com os retrocessos do governo Sartori. É necessária uma reação comum de todas as forças que querem enfrentar esse processo. Precisamos construir unidade no campo social”.

A dirigente do PSOL afirma que o partido está acompanhando com expectativa o desenrolar da crise interna no PT. “Embora aqui no Rio Grande do Sul, essa posição de autocrítica expressa pelo Olívio seja mais forte, em nível nacional ainda é Lula quem comanda o partido e enquanto isso não mudar dificilmente poderemos evoluir nestas conversas”.