Luciana Genro

“Queremos uma nova política que se ancore na cidadania mobilizada”, afirma Luciana em painel sobre gestão democrática

15 de setembro de 2016 10h59
Luciana defendeu um aprofundamento da democracia em Porto Alegre | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

Luciana defendeu um aprofundamento da democracia em Porto Alegre | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

A candidata Luciana Genro participou de um painel promovido pelo coletivo “A Cidade que Queremos” na noite desta quarta-feira (14/09), na sede do Semapi, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. No encontro, ela debateu soluções para Porto Alegre e assinou uma carta-compromisso que demarca conceitos sobre gestão democrática da cidade em diversas áreas como moradia, mobilidade, meio ambiente e obras de impacto. O coletivo preocupa-se com o crescente enfraquecimento das instâncias e espaços de discussão e participação popular, como conselhos municipais e o próprio Orçamento Participativo.

Em seu espaço, Luciana lembrou que a participação popular está na origem da construção do programa de governo do PSOL, já que o mesmo foi elaborado com base em centenas de reuniões realizadas com comunidades, entidades e organizações da sociedade civil. “Foi resultado de muitos debates promovidos ao longo de um ano. Temos um programa que dialoga diretamente com as questões trazidas aqui. Queremos trazer Porto Alegre de volta à sua cidadania, isso significa construir uma democracia real”, afirmou.

A candidata ainda citou a determinação em governar com a inteligência da cidade, buscando ouvir e construir projetos em parceria com organizações e indivíduos que conhecem a realidade das áreas. A radicalização da democracia popular e o aperfeiçoamento do Orçamento Participativo também foram pautados por Luciana, que citou o objetivo de realizar plebiscitos onde a população decida, pela internet, sobre temas importantes e de impacto para a cidade. “O OP precisa ser reformulado e a própria cidadania deve discutir como se deve fazer essa renovação. Temos a necessidade de que se amplie a discussão para além de 1% do orçamento da cidade, tratando de obras e demandas básicas. Precisamos discutir o conjunto do orçamento, o que vai complementar a democracia direta pela internet, para que as decisões sobre os rumos sejam tomados pelo conjunto da cidadania”. Ela citou como exemplos a definição de obras de impacto social e econômico, como a revitalização do Cais Mauá.

Luciana também expressou seu entendimento sobre uma nova relação democrática com a Câmara de Vereadores para que as propostas com apelo da cidadania sejam aprovadas. “Precisamos dialogar com o Parlamento em outro patamar. Já basta de loteamento e  negociatas para ter maioria. Queremos uma nova política que se ancore numa cidadania mobilizada, com pressão sobre os vereadores. Não pretendemos apresentar propostas que contrariem a vontade popular”, afirmou.

No espaço para responder perguntas do público, Luciana detalhou propostas para habitação e meio ambiente.”O bom de ter programa de governo é que temos compromisso assumido no papel e não apresentamos respostas de ocasião”, pontuou. Ela afirmou que pretende criar um escritório para mutirão de regularização fundiária, priorizar moradia em prédios públicos abandonados e ainda estimular a criação de cooperativas habitacionais. Para o meio ambiente, defendeu a valorização de quadros concursados para garantir qualidade do serviço prestado, bem como a fiscalização das empresas terceirizadas que operam para a secretaria para garantir execução dos serviços.

Ao final, foi aplaudida quando abordou uma nova política voltada aos catadores de material reciclável. “Não vamos varrer os catadores da cidade de forma arbitrária como este governo tem feito”. Ela detalhou as ideias para qualificar a coleta de lixo, criando a Coleta Seletiva Solidária, fomentando cooperativas de reciclagem, e defendeu uma auditoria no programa “Somos Todos Porto Alegre”, que deveria tratar da qualificação profissional dos catadores de lixo, mas que gastou milhões em consultorias sem atender o objetivo com qualidade”, finalizou.