Luciana Genro

Trabalhadores do SAMU expõem reivindicações e cobram valorização por parte da prefeitura

16 de agosto de 2016 16h53
Trabalhadores do SAMU apresentaram reivindicações à Luciana Genro, candidata da coligação "É a Vez da Mudança" (PSOL, PPL, PCB) à prefeitura de Porto Alegre | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

Trabalhadores do SAMU apresentaram reivindicações à Luciana Genro, candidata da coligação “É a Vez da Mudança” (PSOL, PPL, PCB) à prefeitura de Porto Alegre | Foto: Fernanda Piccolo/PSOL

Os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) reivindicam melhores condições de trabalho e valorização por parte da prefeitura. Um conjunto de demandas foi apresentado por um grupo de servidores em reunião com a candidata Luciana Genro, da coligação “É a Vez da Mudança” (PSOL, PPL, PCB), em reunião na tarde desta terça-feira (16/08). Também participaram do encontro a vereadora Fernanda Melchionna e os candidatos a vereadores Adriana Guimarães e Rudi Caldeira.

Os servidores reivindicam o recebimento de adicional de risco de vida, já que lidam com situações extremas e atendem emergências em todas as regiões da cidade, inclusive nas mais conflagradas. “Atendemos ocorrências em locais onde acontecem tiroteios, nossas ambulâncias já foram atacadas. Às vezes atendemos pessoas baleadas em regiões onde a Brigada Militar não entra”, relatou Márcia Sander, funcionária do SAMU.

– Veja aqui nossas propostas para a saúde.

O projeto de concessão do adicional de risco de vida já foi aprovado pela Secretaria Municipal da Saúde, mas encontra-se parado na prefeitura por falta de verbas, segundo explicou o governo aos trabalhadores. “Precisaria apenas fazer um acréscimo ao adicional que já existe para os guardas municipais”, disse Rafael dos Santos, também funcionário do SAMU.

Outra reivindicação dos trabalhadores é o reaparelhamento da frota, que conta com apenas 12 ambulâncias básicas e três avançadas, ou seja, que possuem médicos – sendo que uma destas unidades é um “veículo rápido”, com maior capacidade de deslocamento. O problema, de acordo com os funcionários, é que os equipamentos estão em péssimo estado. “Todo dia pelo menos duas ambulâncias ficam paradas”, denunciou um servidor.

O Ministério da Saúde havia liberado 8 novas ambulâncias para Porto Alegre, mas os veículos nunca chegaram à cidade. “A gente quer que a prefeitura pressione o governo federal para que esses equipamentos venham para cá. E não seria nem para ampliar a frota, mas sim para que pudéssemos liberar as ambulâncias mais velhas”, diz Rafael, acrescentando que a vida útil de um veículo do SAMU é de apenas dois anos, devido ao uso intenso.

Os servidores também denunciaram as péssimas condições das bases fixas do SAMU na cidade. A base do HPS, que reúne três equipes – nenhuma delas com médico – é responsável pelo atendimento no Centro e fica no quinto andar do hospital, sem acesso por elevador. “Só na descida ou subida já perdemos tempo de atendimento”, diz uma funcionária.

O grupo informa que o governo municipal poderia receber R$ 25 mil do Ministério da Saúde, caso optasse por construir uma nova base para o SAMU no Centro, atendendo a todos os requisitos estipulados pela União.

Outros problemas apresentado pelos trabalhadores dizem respeito à insegurança jurídica dos médicos reguladores, que se sentem coagidos a enviar ambulâncias, mesmo quando identificam que o caso não é emergencial. A atitude ocorre devido ao medo de que sofram processos judiciais – nestes casos, a prefeitura não presta nenhum tipo de assistência jurídica ao médico.

Por fim, o grupo ainda informou que o SAMU está sendo orientado a realizar um serviço que é de responsabilidade do Instituto Geral de Perícias (IGP), vinculado ao governo do Estado: o recolhimento de corpos de pessoas falecidas e a declaração de óbito. Isso ocorre devido ao sucateamento do IGP, promovido pelo governo do Estado, e acaba sobrecarregando o SAMU, cujas ambulâncias deixam de atender emergências para fazer o transporte de pessoas falecidas.

Luciana Genro falou de suas propostas para a saúde, focando especialmente em uma que ajudaria a aliviar a demanda do SAMU: o estabelecimento de um convênio com o TelessaúdeRS para que a população tenha acesso a profissionais de saúde através de um número telefônico disponibilizado pela prefeitura. “O TelessaúdeRS já realiza este serviço. A prefeitura poderia criar um 0800 e estabelecer um convênio, onde o cidadão que precisa de orientações sobre autocuidados e sobre a qual serviço de saúde recorrer possa ligar, sem precisar chamar o SAMU para qualquer situação”, disse Luciana.

A candidata ainda se comprometeu a verificar, em conjunto com os trabalhadores, quais das demandas apresentadas podem ser atendidas imediatamente pela prefeitura. “Não tenho a menor dúvida de que vocês merecem receber um adicional de disco de vida. Vamos avaliar, dentro da pauta de vocês, o que podemos atender de forma imediata”, comprometeu-se.

Ela ainda sugeriu que os trabalhadores, que não possuem representação sindical própria, elejam entre si uma comissão responsável por negociar com o governo municipal.