Luciana Genro

A “comédia de erros” da votação do ajuste fiscal do PT

07 de maio de 2015 14h44

O que segue poderia ser o roteiro de uma peça de teatro estilo “comédia de erros” mas aconteceu de verdade:

Ato 1: Segundo turno da campanha eleitoral: Dilma afirma que não vai tirar direitos dos trabalhadores “nem que a vaca tussa” e ataca o candidato do PSDB dizendo que ele vai promover um ajuste contra o povo e retirar direitos.

Ato 2: Depois de vencer as eleições Dilma nomeia Joaquim Levy para executar o ajuste que ela acusou Aécio de defender. Além disso edita as Medidas Provisórias 664 e 665. A primeira muda as regras dos benefícios previdenciários, dificultando o acesso à pensão por morte e diminuindo o teto do valor do auxílio doença. A segunda dificulta o primeiro acesso ao seguro desemprego, deixando de fora cerca de 64% dos trabalhadores demitidos, segundo o DIEESE.

Ato 3: O PT veicula um programa de TV no qual se diz o grande defensor dos direitos dos trabalhadores. Lula ataca as terceirizações mas nada fala sobre as MPs.

Ato 4: O PMDB diz que só vai votar a favor das MPs se o PT fechar questão e votar unido.

Ato 5: Entra em votação a MP 665. O PT e o PMDB votam a favor. O PSDB vota contra.

O público se revolta, vai embora e pede o dinheiro do ingresso de volta. No caso, o seu voto de volta!