Luciana Genro

Mulheres Mudam o Mundo – 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres

01 de março de 2018 10h03

 

Março é o mês do dia internacional das mulheres. Época que de forma mais eloquente falamos das nossas lutas, das nossas conquistas e de tudo que ainda nos falta. É quando nossos gritos por igualdade, por liberdade e pelo fim da violência encontram mais atenção. É talvez o período que mais nos reconhecemos umas nas outras e mais percebemos a importância de cada mulher na transformação da sociedade. Como parte das inúmeras iniciativas que marcam esse mês, lançamos a campanha Mulheres Mudam o Mundo. A ideia é que todos os dias de março falemos, por aqui e nas redes sociais, de mulheres que através do ativismo, da arte, da ciência, da luta, da literatura e dos pensamentos críticos conseguiram de alguma forma mudar o nosso mundo.

Essas são nossas 6 primeiras mulheres incríveis. Muitas outras virão completar essa lista. A ordem é aleatória. Não tínhamos como “ranquear” a lista, pois todas elas foram muito importantes.

 

Angela Davis

Angela Davis nasceu no Estado do Alabama no dia 26 de janeiro de 1944. É mulher negra, professora e filósofa socialista, integrante do Partido Comunista dos EUA e colaboradora do Partido Pantera Negra, que na época lutava pelos direitos sociais de negros e negras e contra a arbitrariedade policial. É conhecida por sua militância em defesa da igualdade de gênero, reforma prisional e contra a discriminação social e racial.

Em agosto de 1970, Angela Davis teve seu nome na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI sendo considerada “uma ativista muito perigosa”.

A prisão de Angela Davis foi decretada e após dois meses, ela se entregou. O seu julgamento levou 18 meses, tempo em que esteve presa e que resultou no livro “Angela Davis – Autobiografia de uma revolucionária”. A campanha “Free Angela Davis” por sua libertação teve forte repercussão na sociedade norte-americana. A ativista foi inocentada de todas as acusações.

Nos últimos anos, continua a proferir discursos e palestras, principalmente em universidades e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Assista o discurso de Angela Davis na Marcha da Mulheres contra o Trump em março de 2017:

 

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir nasceu em Paris, em 1908. Escritora e feminista, fez parte de um grupo de filósofos-escritores associados ao existencialismo, um movimento que teria uma enorme influência na cultura europeia do século XX, com repercussões no mundo inteiro.

Formou-se em filosofia, em 1929, com uma tese sobre Leibniz. É nessa época que conhece o filósofo Jean-Paul Sartre, que seria o seu companheiro de toda a vida.

Simone de Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias, autobiografia e monografias sobre filosofia, política e questões sociais. Ela é conhecida por seu tratado O Segundo Sexo, de 1949, uma análise detalhada da opressão das mulheres e um tratado fundamental do feminismo contemporâneo, além de seus romances A Convidada e Os Mandarins.

Veja mais sobre suas obras no documentário “Simone de Beauvoir, uma mulher atual”, disponível no Youtube com legendas em português:

 

Dandara

Dandara foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil. Uma heroína que lutou ao lado de homens e mulheres nas muitas batalhas consequentes a ataques ao Quilombo dos Palmares, localizado no século XVII na Serra da Barriga, situada na Capitania de Pernambuco em região do atual Estado de Alagoas, cujo acesso era dificultado pela geografia e vegetação densa.

Relatos nos contam que Dandara não era muito apta aos serviços domésticos da comunidade, plantava como todos, trabalhava na produção da farinha de mandioca, aprendeu a caçar, mas, também aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e quando adulta liderar as falanges femininas do exército negro palmarino.

Dandara foi companheira de Zumbi dos Palmares, com quem teve três filhos e lutou pela libertação total das negras e negros no Brasil. Ela não queria acordos pela metade e nem se vendia em troca de libertação parcial.

Dandara vive e resiste! Conheça o documentário “Dandaras – a força da mulher quilombola”. Um vídeo que tem como objetivo apresentar suas trajetórias e o engajamento de mulheres quilombolas que atuam como lideranças políticas de suas comunidades e do movimento quilombola como um todo.

Malala

Malala Yousafzai é uma adolescente paquistanesa e um dos grandes nomes da luta pelos direitos de mulheres e meninas. Seu engajamento fez com que ela se tornasse, aos 17 anos, a mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, em 2014.

A única coisa que Malala queria era que ela e suas colegas tivessem o direito de estudar, o que em seu país, é proibido para meninas. Aos 13 anos, Malala alcançou notoriedade ao escrever um blog para a BBC com o pseudônimo de GuI Makai chamado “O diário de uma estudante Paquistanesa, contando sua rotina sob o regime rigoroso do Talibã (TTP).

Em 2012 foi atacada em Mingora quando voltava da escola. Baleada no crânio, teve de ser operada e após um longo período entre a vida e a morte, ela foi exilada em Londres com toda sua família.

Narrou sua autobiografia no livro “Eu sou Malala” traduzido para o português e disponível nas livrarias. Sua vida pode ser vista também no documentário para a Fox Film “Malala”.

 

Frida Kahlo

Frida Kahlo foi uma das mulheres mais marcantes da história do México. Patriota, comunista e revolucionária teve uma vida de superações e sofrimentos que refletiam em sua obra e a tornaram uma das maiores pintoras do século XX.

Considerada uma mulher à frente de seu tempo, ela retratou em seus autorretratos suas dores e explorou temas como o casamento, a maternidade, a bissexualidade e o aborto.

Com 18, passou por uma grande tragédia. Um grave acidente de ônibus, no qual foi transpassada por uma barra de ferro pelo abdômen e sofreu múltiplas fraturas. A eventualidade acabou levando a artista à necessidade de passar por 35 cirurgias e conviver com corpetes ortopédicos por toda vida.

A artista declarava aversão aos padrões de beleza de Hollywood. Sua marca registrada — o buço e as sobrancelhas espessas e escuras — eram uma forma de contestação, além das roupas coloridas, estampadas e floridas que faziam referências ao seu país.

Sua arte foi reconhecida internacionalmente após a sua morte em 1970. Com a obra “Moisés”, ganhou um prêmio concedido pelo Ministério da Cultura do México. Atualmente, as obras de Frida seguem em exposições pelo mundo todo.

Para saber mais sobre sua obra e vida, assista o filme “Frida” disponível na Netflix.

Veja o trailer:

 

Maria da Penha

A história da farmacêutica e bioquímica Maria da Penha deu nome à Lei nº11.340/2006. Um dos marcos mais importantes da história da luta feminista no Brasil. Penha foi uma vítima emblemática da violência doméstica.

Em 1983, enquanto dormia, levou um tiro à queima roupa do então marido que acabou deixando-a paraplégica. Depois de se recuperar, foi mantida em cárcere privado, sofreu outras agressões e nova tentativa de assassinato, também pelo marido, por eletrocussão. Procurou a Justiça e conseguiu deixar a casa, com as três filhas.

Após de ter seu sofrimento conhecido em todo o mundo, o Brasil teve que reconhecer a necessidade de criar uma lei que punisse a violência doméstica contra as mulheres. Maria da Penha tornou-se símbolo desta luta, que significa dar às mulheres uma outra possibilidade de vida.

Sua história foi inspiração para o filme brasileiro “Vidas Partidas” lançado em 2017, veja o trailer:

Nina Simone

Nina Simone foi uma mulher negra pianista, cantora, compositora e importante ativista pelos direitos civis dos negros norte-americanos.
Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Escola de Música de Juilliard, em Nova York. Sua canção Mississippi Goddamn tornou-se um hino ativista da causa.

Nina Simone falava em seus shows sobre a resistência da comunidade negra contra a segregação racial promovida por supremacistas brancos, principalmente no sul dos Estados Unidos.
Sua arte foi política e tornou-se um símbolo de expressão dos direitos civis e da luta pelo movimento negro que reflete até hoje.
Em 2015 foi lançado pela Netflix o documentário “What Happened, Miss Simone?” digido por Liz Garbus contando sua história. Veja o trailer: