Luciana Genro

Muito obrigada, vamos continuar!

24 de dezembro de 2014 11h39

Almejar uma sociedade que ainda não existe, mas que é uma possibilidade real. Assim o filósofo alemão Ernest Bloch definiu a utopia concreta. Não é uma fantasia, mas sim uma busca das possibilidades efetivas que estão latentes e ainda não foram realizadas. Não é uma mera idealização por que é vinculada a uma ação que aponta para o futuro.

É com esta concepção que encarei o desafio de ser candidata a Presidência da República e de defender e lutar por esta utopia concreta. Acredito firmemente que o que há hoje não é o todo possível. O que hoje ainda não é, amanhã é o que ainda pode ser. Otimismo? Sim, vivo entre o pessimismo da razão e otimismo da vontade, como escreveu Gramsci. Os sonhos podem ser uma tentativa de transcendência da realidade dada, e a esperança uma racionalidade antecipadora. Se juntos, sonho e esperança, forem os motores da ação.

No dia a dia, os interesses dos de cima são sempre apresentados como interesses universais. Discurso feito para justificar a dominação oculta que tenta banir o pensamento crítico. Me nego a aceitar a exploração e o abismo entre ricos e pobres como um dado natural e imutável. Me nego a aceitar este simulacro de democracia que vivemos como o máximo alcançável. Não aceito como natural a opressão aos LGBTs, às mulheres, às negras e aos negros.

Às vezes o pessimismo da razão toma conta e quase fraquejo. Quando leio absurdos ou vejo jovens já velhos e acomodados. Alguns até com raiva de quem ainda sonha. Mas logo o otimismo da vontade me contagia novamente, pois a realidade é muito mais rica do que aparece na superfície. Uma alternativa de poder não surge espontaneamente. O processo é longo, cheio de idas e vindas, contradições e impasses. O mundo árabe que o diga. Mas, Podemos na Espanha e Syriza na Grécia fortalecem a esperança de que é possível avançar. Tudo o que ocorreu no Brasil desde junho de 2013 até hoje evidencia as contradições do processo mas também as possibilidades abertas.

A luta está apenas começando. O possível é uma construção humana. Nada está pronto. Nossa enorme responsabilidade é negar o dado, dando forma e conteúdo ao novo.

Muito obrigada a todos e todas que nos ajudaram a continuar, nas pegadas dos corajosos e corajosas que nos antecederam e abriram caminhos, na árdua mas gratificante tarefa de construção deste novo. Vamos continuar! Boas Festas!