Luciana Genro

O MTST e a luta pelo Poder Popular

26 de agosto de 2014 14h41

Por Luciana Genro

Ato do MTST na Av. Paulista

Ato do MTST na Av. Paulista

Muito me honra a menção que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto fez de nossa candidatura, em sua declaração política sobre as eleições.

Numa disputa política marcada pelo predomínio da desigualdade – do poder econômico, do tempo de propaganda no rádio e na TV, da cobertura tendenciosa da imprensa – a presença mobilizada dos sem-teto na cena política nos enche de ânimo e esperança.

Nossa parceria não começou e não termina nessa eleição. Respeitamos e apoiamos a postura independente e combativa do MTST, que ganhou força nas históricas manifestações de junho de 2013 e segue de forma combativa e coerente exigindo que o direito à moradia digna seja respeitado. Estamos juntos nesta luta, construindo um poder popular!

Luciana Genro

Declaração pública do MTST sobre as eleições de 2014: Nosso voto é no poder popular!

O MTST tem realizado lutas em várias partes do Brasil por moradia digna e Reforma Urbana. Em nossa atuação de pressão sobre o Estado em seus diversos níveis não nos pautamos por quem está no governo. Temos rigorosa autonomia em relação a qualquer partido político e essencialmente a qualquer governo.

Isso não significa que sejamos apolíticos. Muito pelo contrário. Defendemos mudanças profundas na política e na organização social brasileira. Mas acreditamos que essas mudanças se constroem com luta e organização popular.

Avaliamos que a Reforma Urbana e demais Reformas populares que os trabalhadores brasileiros necessitam não serão conquistadas nessa configuração institucional. O financiamento privado de campanha e os demais vícios do sistema político brasileiro fazem das eleições um jogo onde os interesses populares não têm vez.

Não que os partidos e candidatos sejam todos iguais. Essa é uma percepção falaciosa e despolitizada. Um governo que dialoga com as organizações populares não é a mesma coisa de outro que reprime e criminaliza. Assim como partidos e candidatos que defendem transformações populares e o combate aos interesses da elite devem ser valorizados. Por isso, a possibilidade de um retrocesso nos preocupa bastante.

Nas eleições presidenciais, nos identificamos com muitas propostas da candidatura de Luciana Genro (PSOL), que buscou incorporar as posições dos movimentos populares – incluindo o MTST – em seu programa. Reconhecemos ainda a resistência expressa em outras candidaturas no campo da esquerda. No entanto, sabemos que suas chances reais de disputa são muito pequenas, exatamente pelo domínio dos interesses econômicos sobre o processo eleitoral.

Nas eleições para os governos estaduais e para o legislativo também reconhecemos candidatos que representam propostas que defendemos. E buscaremos apresentar e indicar aos trabalhadores sem-teto organizados pelo MTST esses casos.

No entanto, por todos os motivos que temos apresentado em nossas lutas, reafirmamos que nosso caminho não é a participação em campanhas eleitorais. Continuaremos, independentemente do período eleitoral, mobilizados nas ruas para arrancar os direitos que sempre foram negados à maioria.

Nossos sonhos não cabem nas urnas. Nosso voto é no poder popular!

COORDENAÇÃO NACIONAL DO MTST