Luciana Genro

Depois de cuspir, não lambe

29 de agosto de 2014 15h42

Resgatei aqui em Santa Maria crônica no Jornal A Razão, escrita pelo meu avô sobre mim:

Depois de cuspir, não lambe

Por Adelmo Simas Genro, 10/06/2003, jornal A Razão

Jornal A Razão

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Ingrata, mas cobiçada é a presidência da República.

Getúlio Vargas ficou quinze anos, somando-se o governo “provisório” e a ditadura a partir de 1937, quando ele outorgou a Constituição, que Chico Campos copiou da Polônia.

Os ditadores militares se revezaram, desde 1964, até a eleição de Tancredo Neves, que desaguou na vice-presidência de José Sarney. Agora, o metalúrgico que foi gerado no ABC paulista, está aí personalizado na esperança do povo e na contrariedade de respeitável parcela do partido que capitaneou a vitória do PT.

Segundo o professor Ronaldo Mota, no livro que acaba de lançar juntamente com outros três colegas, na visão de Marx, “as transformações na sociedade se dão via contradições e antagonismos, estando o desenvolvimento associado à superação permanente desses conflitos”.

Se a “unanimidade é burra”, o contraditório pode gerar — não diríamos a verdade, mas o plausível, o admissível, o aceitável para o desenvolvimento social, para a paz entre os indivíduos.

Se nessa discussão sobre a previdência e a reforma tributária, o Lula tem razão, a deputada Luciana Genro e outros rebeldes também têm…

O presidente preserva-se para não confrontar com as forças ocultas e não ocultas. A Luciana Genro louva-se nas promessas e fica com os esquemas que foram defendidos na propaganda política. É exatamente aquilo que a gente usava, quando guri para, firmar convicção e não trair a palavra dada: “Depois que eu cuspo, não lambo!”

A sentença é meio prosaica, mas Luciana tem razão, porque sua inspiração vem das diretrizes do PT, que sempre acenou para seus eleitores, dizendo que os aposentados não seriam penalizados com descontos em seus proventos.

Sua coerência é respeitável e respeitada, inclusive por adversários políticos, que ainda encontram no velho adágio o valor da palavra empenhada e consubstanciada naquela tradição gaúcha, que mais acreditava no “fio do bigode”, do que no papel escrito.

Sabem duma coisa, acho que Luciana puxou pelo avô.

Ele também, depois de cuspir, nunca lambeu…