Luciana Genro

Sobre os desafios do IV Congresso do PSOL

04 de agosto de 2013 18h01

Esta semana teve início oficialmente o período de debates que culminará no 4º Congresso Nacional do PSOL. Sem dúvida estamos em um momento privilegiado para fazer o debate político. As jornadas de junho deixaram uma marca nova na conjuntura política do país, apontando uma situação de instabilidade permanente para a classe dominante.

Foram alguns dias que valeram por anos em termo de ganho de força para os de baixo. O andar de cima sacudiu, e foi visível como eles se assustaram. Cessaram, por ora, as turbulências mais agudas. Entretanto o Brasil não será mais o mesmo. As consciências avançaram anos-luz. Além das consciências, os pés também aprenderam a andar mais rápido, o que significa que a qualquer momento o inesperado pode voltar a acontecer.

O PSOL tem uma grande responsabilidade, portanto. Nossa missão estratégica é ser capaz de dar um sentido universal para o mosaico de reivindicações e necessidades do povo que irromperam na cena política nas passeatas de junho e que seguem em pauta. Este sentido universal é um programa, uma proposta para um novo poder, um poder das ruas. Nosso Congresso tem que apontar esta saída, que só pode ser anticapitalista e anti-regime. Contra os velhos aparatos, propomos a ação direta.

Para isso é incabível a proposta de que o PSOL venha a integrar o Foro de São Paulo, feita pela tese Unidade Socialista por um PSOL Popular. Este Foro, justamente por estar dirigido pelo PT, simboliza os aparatos burocráticos que foram rejeitados pelas ruas em junho. Quem propõe isso não entendeu nada do que aconteceu no Brasil, e na prática está defendendo que o PSOL fique a reboque da ala esquerda do PT. Não é nos associando a um grupo hegemonizado por partidos que defendem e sustentam as instituições desta democracia para poucos e este modelo econômico concentrador, rentista e excludente que vamos nos credenciar para ser uma alternativa. Esta proposta sintetiza uma divergência profunda que temos no PSOL, sobre o caráter do partido que queremos construir.

Nossa associação tem que ser com partidos como a Syriza da Grécia, irredutível na luta contra os ajuste, e com os movimentos juvenis e populares que atropelaram os aparatos e desde 2011 estão fazendo a diferença nas ruas mundo afora.

No Brasil o principal é que nosso partido seja fiel a junho, isto é, reivindique a fundo o método da mobilização, da ação direta do povo para avançar em conquistas imediatas. A hora é de arrancar vitórias, temos que fazer a nossa parte. Contra a mesmice da pequena política , propomos uma Assembléia Popular Constituinte que reorganize o país sob novas bases, de democracia real, política e econômica. Para eleger esta Assembléia, medidas de urgência na política eleitoral, impedindo que os mesmos de sempre sigam dominando.

Para nos fortalecer para a disputa de 2014, momento importante de disputa de rumos do país, o ideal é que tivéssemos logo um nome para apresentar como candidat@ a Presidente. Não podemos esperar até junho do ano que vem, data das convenções oficiais. Me sinto honrada pelo fato do meu nome ser indicado abertamente por duas das teses, a do MES,em conjunto com o mandato do deputado Giannazi, e a da CST, do meu querido amigo e fundador do PSOL junto comigo, ex deputado Babá. Mas é preocupante que a maioria das teses apresentadas ao Congresso não tenham abordado este tema de forma objetiva, apresentando um nome para a disputa. Se os delegados forem eleitos ao Congresso sem esta definição, na prática a base do partido não vai decidir diretamente este tema. E ele é muito importante para não passar pelo crivo de toda a militância, e não só dos delegados que serão eleitos ao Congresso. Lutamos por uma democracia real e direta no Brasil e no PSOL não pode ser diferente.