Luciana Genro

O que fazer agora?

29 de janeiro de 2013 09h29

A nossa dor não vai passar tão rápido. A dor das famílias não vai passar nunca. O que fazer para diminuir nosso sentimento de impotência diante do horror acontecido? Duas coisas importantes : lutar pela responsabilização dos culpados – sim há culpados, não foi uma fatalidade – e lutar para que medidas preventivas sejam tomadas para que não se repita algo semelhante.
Para apontar culpados em definitivo há que esperar o curso das investigações. O certo é que não são só os músicos que soltaram os fogos e nem somente o dono da boate. O Poder Público vai ter que responder também. Perguntas ainda sem resposta: por que a boate estava funcionando com Plano de Prevenção e Combate a Incêndio vencido? Um Plano anterior havia sido aprovado? Em que bases? E a Prefeitura não fiscalizou?
Espero,sinceramente, que os Bombeiros e Prefeitura tenham concedido o alvará de forma correta, e que os donos da boate tenham alterado depois. Se não foi assim, não tem explicação. É um desrespeito aos mortos dizer que as exigências da lei estavam sendo cumpridas. A lei pode não ser a ideal, mas ela traz exigências mínimas que por óbvio não estavam sendo observadas.
Por fim, uma proposta imediata para prevenção: que as prefeituras e o Corpo de Bombeiros disponibilizem na internet os alvarás e os Planos de Prevenção e Combate a Incêndio. Esta medida tem custo praticamente zero, e possibilita que os usuários fiscalizem a regularidade do local. As pessoas podem ver o Plano na internet e ao chegar ao local conferir se ele é real. Nos próximos meses, ainda sob o impacto da tragédia, todos estaremos mais atentos. E, é claro, proibição total de pirotecnia em locais fechados. Isto é o mínimo.