Luciana Genro

A luta segue na Grécia

18 de junho de 2012 10h14

O resultado eleitoral na Grécia serviu para acalmar os mercados.  Mas é uma calma relativa, instável e temporária. Um dogma foi quebrado,  ficando  claro que existe uma alternativa à esquerda.  O resultado obtido pela Syriza foi extraordinário: 26,9%.  Uma força política que em 2004 tinha pouco mais de 4%, credenciou-se como uma alternativa real de poder.  O  possível governo de unidade entre o PASOK, o maior derrotado, e a Nova Democracia, por pequena margem a mais votada, terá de enfrentar uma oposição forte. A Syriza é a força política que mais cresceu, e seguirá crescendo pois sua postura firme contra a tutela da Troika  faz dela uma força popular que seguirá sendo a única alternativa de governo para resgatar a Grécia das garras do capital financeiro.  E mais uma vez a Syriza mostrou esta firmeza ao anunciar de imediato sua recusa a formar um governo  com os conservadores e socialistas. A pressão de Merkel e Cia para o cumprimento do memorandum  se intensifica. O governo que for formado já iniciará contra as cordas, pressionado pela Troika por um lado e por outro pelo povo grego, cuja disposição de luta ficou clara na votação obtida pela Syriza. Por hora a batalha  eleitoral terminou. No Parlamento, com 26,9% das cadeiras, a Syriza será uma importantíssima  força de resistência à continuidade do ajuste. Mas com certeza é  nas ruas que o futuro da Grécia será decidido.