Luciana Genro

Agradecimento

23 de maio de 2011 11h50

Quero agradecer ao querido Juremir Machado pelas palavras generosas na coluna de ontem, elas me dão a certeza de que vale a pena remar contra a maré da mediocridade!

Correio do Povo – RS
22/05/2011 – 11:42

Juremir Machado da Silva
Radicalismo e radicais

Durante muito tempo, anos, ouvi a mídia chamar de radical gente como Luciana Genro, Maria do Rosário, Raul Pont e Henrique Fontana. De tanto ouvir, eu até acreditava. Eram sempre os mesmos aplicando os mesmos rótulos às mesmas pessoas. Devia ser só uma coincidência, mas os conservadores, talvez por amizades com bons patrocinadores ou por poderem eles mesmos patrocinar, tinham mais espaço para etiquetar seus oponentes. Com o passar dos anos, fui percebendo que os ditos radicais só o eram talvez no sentido de que iam à raiz das coisas. Ou seja, lutavam com unhas e dentes por suas idéias. Quase sempre, boas idéias. Por coincidência, idéias que contrariavam interesses seculares defendidos com voz macia por fanáticos (radicais?) dispostos a nada ceder.

Vejamos o caso de Luciana Genro. Conheço poucas pessoas tão coerentes, determinadas, inteligentes e desapegadas. Quanto o PT chegou ao poder, ela poderia ter navegado na onda e descolado um cargo de ministra ou coisa parecida. Manteve-se firme nas suas convicções. Foi expulsa. Consegue manter ótima relação com o pai, Tarso Genro, apesar das divergências políticas, sinal de alta inteligência emocional. Na última eleição, fez quase 130 mil votos. Não foi eleita. Entrou candidato com menos de 30 mil votos. Ninguém vai me convencer que esse sistema é justo. Concordando-se ou não com a ideologia de Luciana, ela é um exemplo de luta, de garra e de convicções. O mesmo vale, com suas especificidades e escolhas, para Maria do Rosário, Raul Pont e Fontana. Cometem erros? Imagino que sim. Procuram adaptar-se? Certamente. Contradizem-se? Só não o faz quem está morto. É isso aí.

As suas contradições são maiores do que as dos seus oponentes? Duvido. Quem é mais radical, Luciana Genro ou a senadora ruralista Kátia Abreu, que não quer saber de reserva legal nem de áreas de proteção permanente nas propriedades rurais? Quem é mais radical, Raul Pont ou Jair Bolsonaro? Quem é mais radical, Maria do Rosário ou Ronaldo Caiado? Quem é mais radical, Henrique Fontana ou Jorge Bornhausen ou Índio da Costa, aquele que foi vice na chapa de José Serra e arrastou o tucano para a direita? Já sei que alguns dirão que sou petista. Não sou. Admiro Luciana Genro, do PSol. Admiro Maria do Rosário, do PT. Admiro Beto Albuquerque, do PSB. Admiro Fernando Gabeira, do PV. Admiro Ana Amélia Lemos, do PP. Admiro o PMDB pelo papel que desempenhou durante a ditadura. Aprendi que os mais radicais costumam ser aqueles que desqualificam constantemente os outros chamando-os de radicais. Precisamos de bons radicais.

Sempre admirei o mais genial dos radicais gaúchos, Leonel Brizola, o homem que garantiu a posse de João Goulart, em 1961, de metralhadora no ombro e discurso na Rede da Legalidade. Tenho mais medo dos que se apresentam como sensatos e moderados. Não raras vezes são radicais dissimulados prontos para pedir cabeças nos bastidores e degolar quem os incomoda. Contra os “radicais”, em 1964, os militares que se achavam sensatos impuseram ao Brasil uma ditadura radical, que prendeu, torturou e matou.