Luciana Genro

Zero Hora, 10 de novembro de 2010

10 de novembro de 2010 09h24

ROSANE DE OLIVEIRA

Luciana quer ser vereadora
Disposta a concorrer a vereadora em 2012, a deputada Luciana Genro está organizando um ato público no dia 6 de dezembro, na Faculdade de Direito da UFRGS, para lançar um movimento jurídico-político em defesa do direito de disputar a eleição, apesar de o pai ter sido eleito governador.

Aliás, Tarso Genro já confirmou presença no ato.

Luciana fez 129 mil votos, mas não se reelegeu porque o PSOL não atingiu o quociente eleitoral.

Mirante
Luciana Genro (PSOL) conquistou o terceiro lugar no prêmio Congresso em Foco 2010, que faz o ranking dos congressistas que melhor representam a população no exercício dos seus mandatos.

ARTIGOS
ENEMganados?, por Fernanda Melchionna*

Será que as grandes operações financeiras são tratadas com o mesmo descaso?

Ao assumir o cargo de presidente do Inep, José Soares Neto declarou que “não tenho dúvida de que todos voltarão a confiar na aplicação do Enem, é uma prova que tem importância fundamental na educação superior do país”. Disse isso porque em 2009 as provas foram roubadas do cofre do Ministério da Educação, o que comprometeu o exame naquela ocasião.

Este ano, novamente, milhões de estudantes foram prejudicados pela ineficácia dos responsáveis pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O que fica evidente no episódio recentemente divulgado pela imprensa é o descaso com que a educação vem sendo tratada no Brasil há muito tempo. A prova foi elaborada pelo convênio Cespe/Cesgranrio. O Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) é um órgão da Fundação Universidade de Brasília e foi presidido por ninguém menos do que José Soares Neto. Para além das suspeitas que este fato pode trazer à tona, é preciso questionar-se sobre quais as prioridades com que o governo federal trabalha.

Será que as grandes operações financeiras que têm gerado lucros recordes aos bancos do país são tratadas com o mesmo descaso? Ou será que o governo estava tão preocupado com sua sucessão, que não teve tempo para averiguar se as folhas de resposta correspondiam às questões da prova?

As respostas do MEC e do próprio presidente Lula da Silva são, no mínimo, revoltantes. Lula, desde a África do Sul, rebate 5 milhões de estudantes prejudicados dizendo que o “Enem foi um sucesso”.

Fernando Haddad, ministro da Educação, e o MEC, através do Twitter, ameaçam processar os estudantes “que já dançaram no Enem” e agora estariam “tumultuando” o processo. A arrogância é diretamente proporcional à incompetência nesse caso e, infelizmente, não é uma exceção no atual governo. Quem não lembra que Lula, em visita à emergência do Hospital Conceição, declarou que “a saúde no Brasil beira a perfeição”.

O caso já está na Justiça, foi pedida a anulação da prova, já virou tema de discussão a permanência de Haddad no MEC. O que ainda não está garantida é a verdadeira justiça com a educação brasileira, que tem seus recursos permanentemente assaltados pelo lucro das grandes empresas e bancos. Não está garantida a justiça para os estudantes que, pela segunda vez, foram “ENEMganados” pelo governo federal em sua árdua busca por uma vaga na universidade e por um futuro melhor.

*Vereadora de Porto Alegre (PSOL)