Luciana Genro

zerohora.com, 5 de outubro de 2010

05 de outubro de 2010 15h10

Eleição de Tarso impede Luciana Genro de concorrer por quatro anos
Derrotada mesmo com a oitava maior votação à Câmara no RS, Luciana criticou sistema eleitoral

Mesmo com 129,5 mil votos, oitavo maior índice entre os candidatos a deputado federal, Luciana Genro não foi eleita (Adriana Franciosi)

Mesmo com 129,5 mil votos, oitavo maior índice entre os candidatos a deputado federal, Luciana Genro (PSOL) não foi eleita, perdendo a posição para adversários que tiveram, por exemplo, 28 mil votos, devido às eleições proporcionais. Além disso, com a vitória de Tarso Genro (PT), seu pai, no governo estadual, Luciana diz que estará inelegível a partir do próximo ano, de acordo com a legislação, que veda a eleição de parentes até o segundo grau, exceto à reeleição ou a cargos fora da jurisdição – no caso dela, apenas para presidente. Ela já nomeou advogado para recorrer.

Zero Hora – Apesar da votação expressiva, a senhora não foi eleita. Considera o sistema injusto?
Luciana Genro – O sistema é injusto, mas a maior injustiça nem é essa. É a possibilidade de se fazer uma campanha com o mínimo de condições igualitárias em tempo de TV e recursos financeiros. O fato de ter tido os votos e não entrar poderia ser resolvido se não houvesse um patamar mínimo ou se esse patamar fosse menor. Mas agora a questão é vencida, a lei é essa e a gente tem que acatar. O mais incrível de tudo, no entanto, é que acabei me tornando inelegível pelos próximos quatro anos pelo fato de o Tarso ter sido eleito governador. Se ele for reeleito, serei inelegível por oito anos. Embora a lei tenha sido feita com propósitos nobres, de evitar as oligarquias familiares, acaba me atingindo de uma maneira injusta. Vou lutar contra isso.

ZH – Como será o seu posicionamento diante do governo Tarso?
Luciana – O PSOL é oposição ao PT em nível nacional e também será aqui no Rio Grande do Sul. Entretanto, nossa oposição nunca foi destrutiva. Sempre que houve propostas boas, nós apoiamos. Vamos estar prontos a apoiar medidas que possam ser tomadas a favor dos interesses do povo, mas estaremos vigilantes, como sempre, em relação a nossa obrigação de fiscalizar o uso do dinheiro público.

ZH – Muitos candidatos a deputado conseguiram ser eleitos por terem feito coligações. O PSOL não fez. Foi um erro de estratégia?
Luciana – Tentamos fazer uma coligação com o PV em nível nacional. Isso se inviabilizou quando a Marina (Silva) se uniu ao PSDB e ao DEM no Rio de Janeiro. A partir daí, tivemos de nos conformar com a ideia de sair sozinhos na eleição nacional e de termos o Plínio como candidato. Inclusive, o fato de o Plínio ser nosso candidato foi, digamos, uma debilidade em relação à Heloísa Helena. Em 2006, ela teve 7% dos votos. O Plínio teve menos de 1%, independentemente de seus méritos extraordinários.

Confira a entrevista completa na edição de Zero Hora desta terça-feira