Luciana Genro

Jornal do Comércio, 19 de outubro de 2010

19 de outubro de 2010 08h53

Tessaro pede ao prefeito que vete ‘HPS Eliseu Santos’

O presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Nelcir Tessaro (PTB), voltou atrás e decidiu pedir que o prefeito José Fortunati (PDT) vete o projeto de sua autoria que acrescenta ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) da Capital o nome do ex-secretário de Saúde Eliseu Santos (PTB), assassinado em fevereiro deste ano.
Tessaro enviará hoje ao Executivo uma solicitação formal pedindo que Fortunati derrube a matéria, aprovada por unanimidade na quarta-feira da semana passada.

Em telefonema ontem à tarde, o vereador disse ao prefeito que deseja conter a enxurrada de manifestações contrárias à matéria. “É para evitar polêmica”, explicou. Apesar de ter recuado, Tessaro afirma que Eliseu merecia a homenagem por sua dedicação à medicina e à população porto-alegrense. Fortunati só deve se manifestar após receber o projeto de lei.

O pedido do presidente da Câmara, no entanto, não é consenso na bancada do PTB, que ainda apoia a proposta. O líder dos petebistas no Legislativo, vereador Nilo Santos (PTB), reprova a atitude do colega. “Sou contrário (ao veto) pela história do Eliseu.”

Um dos motivos que deixa a questão delicada na Câmara é o de que o homenageado já faleceu. Os parlamentares temem um desgaste por reconhecerem a ausência de grande parte dos vereadores na sessão, bastante esvaziada. A bancada de oposição também está em uma saia justa, já que terá de admitir a omissão.
Maria Celeste (PT) conta que os oposicionistas tentaram uma manobra para retirar o quórum da sessão, mas que

Tessaro optou por fazer uma votação simbólica, em que não há verificação do quórum.
Como os vereadores têm um acordo para que as homenagens sejam sempre aprovadas – não importa a quem sejam oferecidas -, nenhum dos presentes teve coragem de mostrar descontentamento.

Ontem à tarde, vereadores da oposição e da base tentaram encontrar uma brecha no regulamento com intenção de renovar a votação. Um requerimento, dos vereadores Fernanda Melchionna e Pedro Ruas (ambos do P-Sol), que questionava a validade da apreciação, foi endossado pela oposição e por diversos vereadores da base. Mais tarde, o grupo optou por retirar o pedido, por considerar que o texto era ofensivo, e fez um acordo com Tessaro, para derrubar a matéria através do veto do prefeito.

De acordo com o líder do governo, João Dib (PP), o presidente da Câmara acertou ao desistir do projeto. “Toda a reação foi contrária.” Dib acrescenta que o HPS já tem um nome consagrado e que “uma resolução que dá ao hospital outro nome não faria as pessoas o chamarem de outra forma”.

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, acredita que Tessaro tomou “a atitude mais sensata”. “Ele reconheceu que cometeu um equívoco grave”, avalia.

O presidente do Simers ainda afirma que um hospital do porte do HPS não pode ter o nome alterado sem uma discussão prévia com a sociedade. Ele ainda sustenta que, caso o hospital tivesse de ganhar o nome de um benfeitor, Eliseu Santos não seria o indicado pela classe médica, pois na gestão do petebista na Saúde “não houve nada que tenha trazido benefício ao hospital.”

FRASES & PERSONAGENS

“Há falta de locais para carga e descarga na Ramiro com apenas uma vaga, prejudicando os comerciantes, que param em locais proibidos e têm os veículos multados pela EPTC. Nas ruas Santo Antônio e Garibaldi os comerciantes enfrentam o mesmo problema.” Fernanda Melchionna, vereadora/P-Sol.