Luciana Genro

Sul 21, 2 de setembro de 2010

02 de setembro de 2010 18h04

Polícia Federal confirma prisão de superintendente do marketing do Banrisul

Rachel Duarte

O superintendente da Polícia Federal no RS, Ildo Gasparetto, e o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino,  falaram,  em coletiva de imprensa, hoje (2/9) depois das 14 horas, sobre o trabalho da força-tarefa, que investiga um possível desvio de R$ 10 milhões do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Não confirmaram as informações vazadas pelo Grupo RBS, ainda pela manhã. A principal revelação foi que a testemunha é um profissional da área de marketing, terceirizado pelas agências de publicidade que atendem o Banco e que não foi pago pelos serviços prestados. Pelas informações extra-oficiais dadas à imprensa, supostamente pela testemunha – que não teve seu nome revelado pela PF – um projeto, que teria custado em torno de R$ 350 mil, teria sido faturado em R$ 546 mil.

A investigação começou quando uma pessoa procurou o Ministério Público de Contas e denunciou o esquema. O promotor Tiago Conceição (MPE) detectou indícios de “crimes federais, tais como, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores e sonegação fiscal”, confirmou Gasparetto.

Sobre as especulações de que três pessoas estão presas, Gasparetto confirmou as prisões, mas divulgou apenas o nome do superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg. “Uma das pessoas detidas hoje (Walney), 60 dias atrás tinha sido presa por evasão de divisas, em um aeroporto de São Paulo”, afirmou o superintendente.

A prisão dos representantes das agências de publicidade que atendem o Banco – Gilson Storke, da SL&M, e Armando D’Elia Neto, da DCS –  não foi confirmada. O Sul21 tentou contato com um dos sócios da SL&M, Valdir Loeff e foi informado de que ele só estará na agência na manhã desta sexta-feira (3).

As prisões foram feitas, porque os policiais federais apreenderam na casa dos suspeitos um total de R$ 3 milhões, sem origem identificada. Segundo Gasparetto, os valores encontrados estavam em reais, dólares e euros, e ainda estão sendo contabilizados. Também foram cumpridos mandados judiciais de busca e apreensão em duas agências do Banrisul. No total, 76 policiais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, sendo 10 na Capital e um em Gravataí.

Sobre o destino dos recursos desviados, o superintendente da PF disse que ainda aguarda o resultado das investigações. Adiantou, porém, que, se for identificada a utilização dos valores em alguma campanha eleitoral, o processo será encaminhando ao procurador regional eleitoral, Carlos Augusto Cazarré.

Participaram da coletiva, também, o promotor Tiago Conceição, da Vara Criminal especial do MPE, e o Delegado José Antonio Dornelles de Oliveira, que comanda a delegacia que cumpriu as buscas e investigações na força-tarefa.

O candidato Pedro Ruas (PSol) e a deputada federal Luciana Genro (PSol), protagonistas nas denúncias da Operação Rodin em 2007, estiveram na coletiva. Ruas afirmou que o esquema de superfaturamento das ações de marketing do Banrisul não é um ato apenas de funcionários, mas também de diretores. Ele citou o presidente do Conselho Administrativo do Banrisul, Ricardo Englert, que se manifestou, dizendo que – caso seja confirmada a existência do esquema – os recursos desviados serão devolvidos. “Eu quero saber como?”, perguntou Ruas. “E segundo, se há afirmação do MPE e da Polícia Federal, o que ele está esperando para fazer isso? O banco está precisando”, disparou.

O esquema

Conforme as investigações da operação batizada de Mercari, o superfaturamento ocorria há 18 meses. As agências de publicidade contratavam terceirizados para fazer o serviço por meio de licitação, muitas vezes, forjadas. Sobre os custos reais, as agências aplicavam uma taxa de 30%. Quem receberia a maior parte do desvio seria o superintendente de marketing do Banco.  A sistemática ainda será apurada pela força-tarefa. Os sigilos bancários dos acusados deveriam ser quebrados ainda nesta quinta. Ao final do processo, eles deverão ser indiciados. O adiantado na coletiva é que há semelhança com o esquema da Operação Rodin, deflagrada em 2007.

O Sul21 conversou com o vice-governador, Paulo Feijó (DEM), sobre as denúncias. Ele salientou que a não cabe a ele identificar os suspeitos, mas que o fato não é novo. “Essa operação é a mesma que eu já denunciei ao Ministério Público. As pessoas são as mesmas”, afirmou.

Acesso ao processo

O presidente do Banrisul, Mateus Bandeira, foi breve ao telefone, pois estava tendo acesso ao processo da investigação no horário da ligação feita pelo Sul21. Ele disse que “a instituição é uma das principais interessadas no resultado das investigações, pois se há algum esquema, estamos sabendo pela imprensa hoje, porque nem a Polícia Federal quis nos passar informações”. Sobre a possibilidade de ter outros funcionários ou membros da diretoria do banco envolvidos no esquema, disse não temer: “Eu só temo que isso seja utilizado para fins eleitoreiros”.