Luciana Genro

Correio do Povo, 24 de setembro de 2010

24 de setembro de 2010 10h12

PSol retira candidatura ao Senado para apoiar Paim

Candidato ao Piratini, Ruas (C) deu acordo para Paim (E) e Lucas se aproximarem. Crédito: camila domingues

O PSol anunciou ontem a retirada da candidatura de Luiz Carlos Lucas (PSol) ao Senado para transferir o segundo voto da sua militância a Paulo Paim (PT), que busca à reeleição. A sigla mantém como primeira opção ao Senado o nome de Berna Menezes (PSol). Lucas e Pedro Ruas, candidatos da legenda ao Piratini, entraram em consenso na quarta-feira à noite, e reuniram a executiva ontem pela manhã para tomar uma decisão coletiva e fizeram o anúncio à tarde.

O acordo foi construído por meio do vereador Adeli Sell, presidente do PT da Capital e coordenador da campanha de Paim. Ele admite que conversou com os colegas de Legislativo do PSol, Ruas e Fernanda Melchionna, mas nega que tenha feito movimentos bruscos. “Foi algo que partiu deles, que ocorreu naturalmente por entenderem que, diante do quadro acirrado, o Paim não pode ficar de fora do Senado”, disse Adeli, citando os adversários Germano Rigotto (PMDB) e Ana Amélia Lemos (PP). “As coisas se efetivaram nas últimas 48 horas”, comentou.

Ao explicarem o apoio ao petista, que pertence à legenda que expulsou vários dos atuais membros do PSol, os socialistas disseram que Paim está “acima das fronteiras partidárias pela defesa que faz dos trabalhadores”. “Tomamos a decisão diante das circunstâncias em que a direita ameaça retirar o mandato do Paim, que é comprometido com o fim do fator previdenciário e com o reajuste dos aposentados vinculado ao salário mínimo”, disse Ruas.

TALINE OPPITZ

PSol reforça campanha de Paim

Crédito: camila domingues

Ao retirar uma das candidaturas ao Senado, a de Luiz Carlos Lucas, para permitir uma dobradinha informal com Paulo Paim, o PSol criou um fato político, mas ainda é cedo para mensurar qual será o impacto, na prática, do apoio ao senador petista, que concorre à reeleição. Na última pesquisa Instituto Methodus/Correio do Povo, divulgada no dia 16, Lucas aparecia com 1,3% das intenções de voto. Em uma disputa acirrada pelas duas vagas no Senado, como a protagonizada por Paim, Ana Amélia Lemos, do PP, e Germano Rigotto, do PMDB, um percentual mínimo pode representar a diferença necessária à conquista de uma das cadeiras. O apoio do PSol, porém, não garante a transferência automática de votos para Paim, principalmente em função da mágoa alimentada por militantes do partido, que nasceu a partir da expulsão, pelo PT, de lideranças como Luciana Genro. O movimento também está sendo interpretado por adversários como a confissão de que se acendeu a luz vermelha e que o PT está preocupado com a possibilidade de Paim perder a briga pela reeleição, situação que pode demonstrar certa fragilidade à campanha do senador perante o eleitorado.

Costura
O apoio do PSol à candidatura de Paim foi impulsionado pela preocupação do partido com a possibilidade de eleição de Ana Amélia e Rigotto, em detrimento de Paim, que defende bandeiras similares às do partido, como o fim do Fator Previdenciário. O movimento teria sido feito pelo próprio PSol e costurado em conversas na Câmara de Porto Alegre. O interlocutor do PT no episódio foi Adeli Sell, presidente municipal do partido e coordenador da campanha de Paim.