Luciana Genro

Correio do Povo, 11 de setembro de 2010

11 de setembro de 2010 08h59

Ruas manterá discurso crítico

O candidato do PSol ao Palácio Piratini, vereador Pedro Ruas, se reuniu ontem à noite com a direção da sigla no comitê central eleitoral. Ele debateu a organização dos últimos dias de campanha e reafirmou a manutenção do discurso crítico para o debate televisivo que ocorrerá na próxima terça-feira entre os postulantes ao Palácio Piratini. “Vou seguir apontando as contradições dos partidos tradicionais que estão concorrendo. Acredito que existe uma boa margem de crescimento da nossa chapa”, disse.

Ontem pela manhã, Ruas confirmou o seu apoio à greve dos trabalhadores da Refinaria Alberto Pasqualine (Refap), em Canoas, que terá início a partir da próxima terça-feira. As principais reivindicações dos petroleiros são a valorização salarial e o estabelecimento de dissídio coletivo para a categoria.

Remédios vendidos sem receita

Apesar da irregularidade, remédios diversos – inclusive os de tarja vermelha – são vendidos em Porto Alegre sem receita médica. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todo medicamento deve ser comercializado mediante apresentação da prescrição. Porém, a norma não tem sido cumprida. Entidades de classe e de regulação alertam para o perigo da automedicação e sobre a necessidade de ampliar conscientização da sociedade sobre o uso indevido.

Para a presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do RS, Débora Melecchi, um passo importante seria a aprovação do projeto de lei do deputado Ivan Valente (PSol-SP), que tramita no Congresso e propõe uma mudança do perfil de comércios de medicamento. “A proposta transforma a farmácia de simples comércio em uma instituição de saúde, qualificando o controle sobre os medicamentos.” Débora afirmou que o sindicato compõe a luta pelo cumprimento da legislação, com Conselho Regional de Farmácia e Ministério Público.

O coordenador-geral da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Anderson Lima, admite que há falhas na regulação. Ele acredita que as pessoas precisam despertar o olhar para o risco de se automedicar. Segundo ele, há cerca de 800 estabelecimentos na Capital, dos quais 150 foram fiscalizados este ano e quase 30, autuados. A Vigilância também atua mediante denúncias, pelo telefone 156 da prefeitura.

O Correio do Povo publicou reportagem na semana passada sobre o caso de adolescentes que têm acesso ao Benflogin (cloridrato de benzidamida), anti-inflamatório cuja superdosagem, associada com bebida alcoólica, ocasionaria efeitos semelhantes aos do LSD.