Luciana Genro

Jornal do Comércio, 13 de agosto de 2010

13 de agosto de 2010 09h49

Yeda vira alvo no primeiro debate de TV

Gisele Ortolan e Samir Oliveira

Todos os candidatos atacaram a gestão da governadora do Estado. Gilmar Luis/JC

No primeiro debate em rádio e televisão em que participou, a governadora e candidata à reeleição Yeda Crusius (PSDB) se tornou alvo de seus adversários. Tarso Genro (PT), Pedro Ruas (P-Sol), Montserrat Martins (PV), Carlos Schneider (PMN) e Aroldo Medina (PRP) fizeram ataques frontais à atual gestão. José Fogaça (PMDB) fez críticas indiretas e apresentou-se como “candidato da mudança” no programa exibido pela Bandeirantes.

O déficit zero, bandeira da administração tucana, também foi questionado. Tarso observou que os 12% da receita do Estado previstos para serem investidos em saúde não foram cumpridos. Fogaça mencionou o déficit no sistema prisional e a falta de investimentos no setor. Schneider observou que há R$ 5 bilhões de precatórios a serem pagos. Ruas levantou o desvio de recursos na fraude do Detran. Montserrat apontou a falta de articulação no tratamento a dependentes químicos. E Medina questionou ações da Defesa Civil.

Yeda ressaltou que resolveu um déficit que se aprofundava há 37 anos e que o equilíbrio das finanças é o caminho para aumentar o volume de gastos em políticas sociais. Disse ainda que seu governo é o que mais investiu em saúde e que tentou reajustar o salário dos professores, mas o projeto foi barrado na Assembleia Legislativa.

Quando Ruas e Yeda se questionavam, sempre havia tensão. Numa das intervenções, o candidato do P-Sol lembrou as denúncias do Ministério Público sobre o Detran que colocaram a tucana como ré. “A senhora não se sente constrangida em tentar a reeleição?”, provocou. “Esse é o seu jeito de fazer política, com denúncias vazias, falsas e mentirosas”, contra-atacou, ressaltando que a Justiça a inocentou.

Ruas também cutucou Fogaça, questionando o peemedebista sobre irregularidades na Secretaria da Saúde de Porto Alegre e sobre o bloqueio à CPI para investigar o tema na Câmara. Fogaça apontou que a prefeitura agiu rápida e energicamente para a solução do problema.

Houve também estocadas nos diálogos entre Tarso e Fogaça, que lideram as pesquisas de intenção de voto. O petista tentou vincular o ex-prefeito à gestão tucana, da qual o PMDB integra a base aliada e à fraude no Detran. Fogaça reagiu, afirmando que o governo Germano Rigotto saiu intocado nesta questão.

Entre as propostas apresentadas, Yeda apontou a continuidade de suas realizações no governo, citando mais investimentos em políticas sociais, programa de prevenção à violência e redução de impostos.

Fogaça prometeu R$ 100 milhões por ano para a contratação de equipes de saúde. Também defendeu a recomposição dos quadros da Brigada Militar.

Tarso destacou a necessidade de priorizar a infraestrutura estadual, tendo em vista a realização da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. “Temos que melhorar as ligações asfálticas, rodovias e aeroportos.”
Ruas questionou o pagamento da dívida do Estado com a União “É uma matemática perversa que impede investimentos”, criticou, propondo a suspensão do débito.

Montserrat aproveitou sua experiência como médico para defender a saúde. “Precisamos de hospitais regionais para desafogar o atendimento na Capital.”

Schneider, pregou a valorização da família e a implementação da escola em turno integral para melhorar a educação gaúcha. “É uma medida importante para permitir que as mães das crianças continuem trabalhando”.

O candidato do PRP, Aroldo Medina, demonstrou preocupação com os impactos das catástrofes climáticas aos produtores rurais. “É preciso um projeto educacional e assistência técnica ao campo, fortalecendo a Emater”, defendeu.
Bastidores

– Antes de iniciar o debate, dezenas de militantes do PMDB, PSDB e P-Sol sacudiam bandeiras e entoavam jingles em frente ao prédio da Bandeirantes, em Porto Alegre. Carros de som também percorriam a área, patrulhada por 30 policiais.

– Antes de os candidatos chegarem, assessores e políticos circulavam pelo local. Caso dos deputados federais Mendes Ribeiro Filho (PMDB) e Claudio Diaz (PSDB) – que coordenam as campanhas de Yeda Crusius e José Fogaça -, que conversaram durante alguns minutos antes de entrarem no prédio.

– Tarso Genro chegou primeiro, às 20h50min. Fogaça apareceu cinco minutos depois. A última a ingressar na emissora foi a governadora e candidata à reeleição Yeda Crusius, às 21h25min.

– Dentro do prédio, os candidatos e suas assessorias ficaram em salas separadas, com acesso a um camarim. Entretanto, a imprensa não pôde entrar no estúdio.

– Apenas dois assessores por candidato podiam circular por dentro do estúdio da TV Bandeirantes. A antessala ficou reservada aos convidadostes – como Luciana Genro (P-Sol) e Clóvis Magalhães (PMDB), que assistiam lado a lado ao debate.