Luciana Genro

Correio do Povo, 13 de agosto de 2010

13 de agosto de 2010 09h58

Ruas pretende cortar 50% dos cargos em comissão

Presidente do Grupo Record no RS, Natal Furucho, recebeu candidato do PSol no RecSul. Crédito: Antônio sobral

O candidato do PSol ao governo do Estado, Pedro Ruas, destacou ontem, em visita à sede do RecSul, os dois eixos que norteiam todo o plano de governo de seu partido nas eleições estaduais: o combate à corrupção e questionamento da dívida do Estado com a União. Ruas, acompanhado pelo presidente estadual do PSol, Roberto Robaina, e por sua coordenadora de campanha, a vereadora por Porto Alegre Fernanda Melchiona, entregou, durante a visita, o plano de governo ao presidente do Grupo Record RS, Natal Furucho.

Munido de uma série de dados, Ruas disse que as cifras que envolvem desvios de verbas no poder público são “extraordinárias” e que o combate à corrupção permitirá a destinação de muito mais recursos para as áreas de interesse da população, como saúde, segurança e educação. Ele aproveitou para relembrar escândalos recentes, estratégia que vem desenvolvendo desde o início da campanha. “Na fraude do Detran foram desviados R$ 44 milhões. A Operação Solidária apurou o desvio de outros R$ 300 milhões. Em Porto Alegre, há um escândalo que envolve R$ 10 milhões e outro de R$ 20 milhões.”

Citando estudos de organismos internacionais, o candidato informou que, devido à corrupção, as administrações envolvidas perdem cerca de 20% a 30% de seu orçamento. Por isso, segundo ele, uma das principais propostas do PSol é, caso chegue ao governo, a instalação de uma corregedoria interna. Ele defendeu ainda o corte de 50% dos CCs. “Nosso programa é o melhor porque tem propostas. Os outros ficaram fazendo alianças que reproduzem velhas práticas. Aliam-se para ganhar mais tempo na TV e, em troca, loteiam o governo futuro.”

Socialista vai auditar a dívida do Estado com a União

O segundo eixo do programa de governo do PSol, o questionamento da dívida do RS, segundo o candidato ao governo, Pedro Ruas, visa corrigir uma distorção histórica e também diminuir os gastos do Estado. “No primeiro dia de governo vamos suspender o pagamento e auditar os números. Não é calote. O que queremos é o detalhamento dos critérios. Se, ao final da auditoria, de fato devermos alguma coisa, vamos pagar, mas o valor justo. Eu, particularmente, acredito até que já foi paga e estão sobrando valores. Neste caso, vamos é cobrar, acrescido de danos morais ao povo gaúcho”, resumiu o candidato durante a visita ao RecSul ontem.

Também para defender a proposta de questionamento da dívida, Ruas apresenta uma série de indicadores. Segundo ele, em 1990 a dívida do RS com a União era de R$ 4,8 bilhões. Em 1998, quando o governador Antônio Britto (então no PMDB) fez a polêmica negociação com o governo federal, que inclui, desde então, o repasse de 18% da receita líquida ao ano a título de pagamento, os valores chegavam a R$ 13,4 bilhões. Somente no ano de 2008, conforme o candidato, os 18% foram equivalentes a R$ 2,1 bilhões. Mesmo assim, em 2009, a dívida já alcançava os R$ 39 bilhões.

“Queremos saber os critérios de cálculo. Sabemos que a União usa como fator de reajuste o IGP-DI ao invés do IPCA. O IGP-DI é índice de agiota. Sabemos que tem mais de R$ 500 milhões de multa. Como multa, se o desconto não atrasa, é automático? Com esses R$ 2 bilhões é possível fazer a parte inicial do metrô. Também dá para construir 400 escolas de turno integral. Ou fazer, por ano, 42 hospitais como aquele que está sendo construído na Restinga”, comparou Ruas.


Petista terá três minutos a mais que tucano na TV

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou ontem a divisão do tempo dos presidenciáveis na propaganda eleitoral gratuita, que começa no próximo dia 17 e termina no dia 30 de setembro. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, terá direito a 10min38s. O presidenciável José Serra (PSDB) terá o segundo maior tempo, com 7min19. Marina Silva (PV) terá 1min23s. A propaganda de Plínio Arruda Sampaio (PSol) terá a duração de 1min2s. Os outros cinco candidatos a presidente, Rui Costa Pimenta (PCO), José Maria de Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Ivan Pinheiro (PCB) contarão com 55 segundos e 56 centésimos cada um.

O horário eleitoral gratuito para candidatos a presidente será exibido em dois blocos de 25 minutos, nas terças e quintas-feiras e aos sábados. No rádio, os blocos se iniciam às 7h e às 12h. Na televisão, às 13h e às 20h30min. A propaganda também será veiculada por mais seis minutos diários, divididos em inserções de, no máximo, 60 segundos, distribuídos ao longo da programação das emissoras de rádio e TV, entre 8h e 24h, inclusive aos domingos.

De acordo com sorteio realizado no último dia 3 pelo TSE, o horário eleitoral gratuito será aberto com o programa de José Serra. Em seguida, será a vez de Plínio de Arruda Sampaio, Rui Costa Pimenta, José Maria de Almeida, Dilma Rousseff, José Maria Eymael, Levi Fidelix, Marina Silva e Ivan Pinheiro.