Luciana Genro

Zero Hora, 13 de julho de 2010

13 de julho de 2010 10h50

RAIO X ELEITORAL
Nos Estados, 164 querem governar
Rio Grande do Sul tem o maior número de concorrentes ao governo, e o PSOL é o partido com o maior exército de candidatos

Em todo o Brasil, 164 homens e mulheres disputarão, no dia 3 de outubro, os governos estaduais por 25 dos 27 partidos políticos brasileiros. O Rio Grande do Sul – com 10 postulantes ao Piratini – tem, até o momento, o maior número de candidatos a governador, e Tocantins, com dois, o menor.

Os pequenos PSOL e PSTU serão as legendas com o maior número de concorrentes a governador, segundo dados preliminares dos pedidos de registro de candidaturas feitos à Justiça Eleitoral. Por outro lado, PT e DEM reduziram neste ano seus exércitos de concorrentes próprios aos governos estaduais.

O enxugamento mais expressivo é o do PT. Em 2002 – ano da primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência –, a legenda concorreu com candidatos próprios em 24 das 27 unidades da federação. Agora, disputa o governo em apenas 10.

O redução no número de candidatos petistas é resultado direto da estratégia de Lula de montar alianças para sustentar sua prioridade: eleger Dilma Rousseff presidente. Para isso, o PT abriu mão de ter candidatos próprios a governador em vários Estados e aderiu às campanhas de outros partidos, principalmente do PMDB. A cúpula peemedebista indicou seu presidente, o deputado federal Michel Temer (SP), para a vaga de vice de Dilma.

O caso mais notório é Minas Gerais, onde os petistas engoliram, contrariados, a candidatura de um adversário histórico, o peemedebista Hélio Costa. Mesmo no Rio Grande do Sul, o PT só conseguiu consolidar o nome de Tarso Genro porque o candidato se lançou ainda no ano passado, contrariando a cúpula nacional. Depois do Rio Grande do Sul, os Estados de São Paulo, Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina apresentam disputas com grande número de concorrentes.

Maior aliado do tucano José Serra na corrida presidencial, o DEM concorrerá ao governo em apenas quatro Estados, sendo a Bahia o maior deles. Descendente do antigo PFL, o DEM tem encolhido desde que a vitória de Lula empurrou seus caciques para a oposição. Além disso, a sigla foi manchada pelo mensalão no Distrito Federal. Em 2006, o DEM teve sete candidatos a governador.

Para impulsionar José Serra, o PSDB vai concorrer ao governo de 16 Estados – o maior número entre os grandes partidos e apenas um a menos do que a sigla lançou em 2006.


Pequenos, porém numerosos

Com poucos filiados e eleitores, PSOL e PSTU serão os partidos com maior número de candidatos a governador.

O PSOL vai disputar o governo de 24 das 27 unidades da federação – só não lançou nomes próprios no Acre, no Amapá e em Tocantins.

Não é novidade. Na eleição de 2006, também tinha indicado 24 candidatos, dentro da estratégia de apresentar o maior número possível de nomes para incentivar o crescimento da sigla.

Outra legenda de esquerda, o PSTU segue estratégia semelhante: aproveitar as eleições e ocupar espaços no rádio e na TV para divulgar o partido. A sigla lançou candidatos aos governos de 18 Estados.

Já os comunistas do PCB tentarão ganhar os governos de 16 Estados, entre eles o Rio Grande do Sul, onde concorre com Humberto Carvalho. Entre os 27 partidos registrados no país, apenas PRB e PTN não apresentaram candidatos a governador. Todos os números referentes às candidaturas são preliminares, já que a Justiça Eleitoral ainda processa pedidos de candidaturas.