Luciana Genro

Jornal do Comércio, 28 de julho de 2010

28 de julho de 2010 10h37

FERNANDO ALBRECHT

Redes de campanha
O P-Sol está todo pimpão, contentíssimo com o retorno das redes sociais nesta campanha. Só o presidente do partido, Roberto Robaina, tem 9.072 seguidores nos perfis de diversas redes sociais. A confirmação está no site robertorobaina.blogspot.com.

Berna defende retomada de ensino público de qualidade

Josemari Quevedo

A candidata ao Senado pelo P-Sol defende programa emergencial para a educação no Estado (Claudio Fachel/JC)

A candidata ao Senado Federal pelo P-Sol Bernadete Menezes entende que é necessário um programa emergencial para a educação no Rio Grande do Sul. Essa é a principal bandeira que ela pretende defender, se for eleita. Berna condena, por exemplo, o funcionamento de escolas de lata no Estado – salas modulares feitas com teto de zinco.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, apresenta como meta para sua atuação no Senado a retomada da tradição de um ensino qualificado no Rio Grande do Sul. E aponta que um legislativo federal unicameral seria mais eficaz para o País e não iria onerar tanto os cofres públicos.

Jornal do Comércio – Como a senhora pretende atuar no Senado, se for eleita?

Berna Menezes – Defendo, em primeiro lugar, a educação. Assim como a política se degenerou, a educação decaiu bastante. No resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), as escolas estaduais estão no final da lista. As poucas que ainda se mantêm são pelo esforço do magistério, mesmo com o problema da enturmação e o adoecimento de professores. A quantidade de licença-saúde é imensa. Por isso é necessário um programa de emergência para a educação no Rio Grande do Sul. A tradição de ensino no Estado é superior ao resto do Brasil. Temos que retomar isso. Um país que é a oitava economia do mundo não pode ter 14 milhões de analfabetos, enquanto Paraguai, Bolívia, Equador, Venezuela e Cuba já liquidaram com o analfabetismo e são muito mais pobres.

JC – O governo do Estado criticou a oposição sistemática do Cpers/Sindicato. Como se deve trabalhar as políticas para a educação?

Berna – O Cpers é quase um estado dentro do Estado, é um sindicato de mais de 100 mil trabalhadores, que “elege e derruba governos”. São os contínuos ataques do governo que têm fragilizado a categoria, que recebe o menor piso dos professores em todo o País. Isso quer dizer que o Estado da melhor educação tem o menor piso. O atual governo foi um desastre para educação. As escolas de lata estão aí. E tem ainda a enturmação, fechando escolas e colocando turmas de 50, 60 alunos, o que é um absurdo.

JC – Que outra bandeira, além da educação, a senhora pretende levantar no Legislativo?

Berna – A questão da educação vem primeiro. Em segundo lugar, o controle de tributação da dívida pública do Rio Grande do Sul. Hoje, 18% da receita líquida do Estado vai para os cofres da União.

JC – Esses são os principais pontos de sua agenda?

Berna – São pontos que pretendo levar ao Senado e aqui no Rio Grande do Sul, onde queremos reunir a Assembleia Legislativa para discutir um planejamento com professores e especialistas da área. Temos não só problemas na saúde dos professores, mas também na questão da segurança envolvendo a educação.

JC – Que tipo de iniciativa pode sair dessas discussões?

Berna – Poderíamos transformar a escola num polo da comunidade, que reverta essa situação. Existem experiências positivas como a Escola Walter Jobim, em Viamão, localizada no meio de uma vila e que não tem ruas asfaltadas. A escola melhorou com o envolvimento da comunidade, tempo integral de aula, os alunos permanecendo na parte da tarde para participar de oficinas, esporte, capoeira, música e banda. Isso é um estímulo. Por exemplo, o estudante que não passar de ano não fica na banda. Nos primeiros anos não houve aumento de rendimento escolar, mas hoje a escola está pintada e limpa, não se vê pichação e é mantida pelos próprios alunos. Os estudantes têm que gostar do espaço escolar. Falta cidadania para que os pais sintam que aquela escola do filho é um espaço onde podem se reunir com outros pais e discutir os problemas da comunidade, que querem que o filho avance.

JC – Quase todos os candidatos defendem a melhora da educação durante as eleições, mas percebe-se poucos avanços. Como avalia esse cenário e como isso pode ser mudado?

Berna – Acreditar que o governo não fez em quatro anos escola integral e agora vai fazer? Sou a favor da escola integral, só que com 18% da dívida do Estado comprometida com a União como é que vai fazer escola integral? Uma coisa está relacionada com a outra.

JC – Qual sua avaliação do papel político do Senado?

Berna – Defendo que o nosso Poder Legislativo nacional seja unicameral. Acredito que o Senado gera um gasto excessivo do Estado. Como ele existe, temos que atuar ali, mas o povo gaúcho deve dar uma resposta. Temos que alterar essa dinâmica e mudar a cara do Senado, porque a situação em que se encontra afasta o povo da eleição e faz com que os mesmos que sempre fizeram política continuem mandando.
Perfil

Bernadete Menezes, 50 anos, nasceu em Belém (PA). Conhecida como Berna, viveu em São Paulo onde iniciou sua vida política no movimento estudantil. Atuou na resistência ao regime militar. De volta a Belém, ingressou no movimento sindical, participou da fundação do PT e da campanha Diretas Já. Foi candidata a cargos majoritários nas eleições do Pará, pelo PT, para fortalecer o partido. Antes, elegeu-se vereadora de Belém, em 1982. Em 1988, foi candidata a vice-prefeita. Mudou-se para Porto Alegre em 1993. Trabalha como técnica-administrativa na Ufrgs, onde atualmente cursa História. Integra o Conselho Superior da Ufrgs e está licenciada da direção da Associação dos Servidores (Assufrgs). No Estado, trabalhou na campanha da então petista Luciana Genro a deputada federal e ficou na suplência da Câmara Municipal nas eleições de 2000. Chegou a assumir como vereadora da Capital em 2003. Depois, deixou a sigla e passou a integrar o P-Sol, partido pelo qual concorre ao Senado neste ano.