Luciana Genro

Correio do Povo, 9 de julho de 2010

09 de julho de 2010 10h50

Ruas questiona valor da dívida paga pelo Estado

Candidato recebeu sugestões de cabos e soldados. Crédito: divulgação / cp

O questionamento da dívida do Estado com o governo federal e o combate à corrupção foram apresentados ontem pelo candidato do PSol ao Palácio Piratini, Pedro Ruas, aos membros da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar como os dois eixos centrais do programa de governo da chapa. “Nós entendemos que essa dívida é ilegítima, ela já foi paga. A União tem uma linha de agiota diante do Estado”, afirmou Ruas, ressaltando que 18% da receita líquida dos cofres do Rio Grande do Sul são utilizados mensalmente para amortizar o passivo.

Ele chama a atenção para o fato de a dívida só ter crescido desde à época da sua renegociação. “Em 1998, o valor estava em R$ 13,4 bilhões. Os dados de 2009 mostram um salto para R$ 39 bilhões. Quanto mais se paga, mais aumenta”, protestou. O socialista participará de nova reunião com os cabos e soldados da Brigada Militar, ainda sem data marcada, para receber um documento com as reivindicações da entidade.

Na próxima segunda-feira, o candidato, que também é vereador de Porto Alegre, participará de uma audiência com o presidente da CEEE, Sérgio Camps de Moraes, para discutir a colocação de bicos de luz no Beco do Sorriso, na Vila Cruzeiro. Ruas recebeu a demanda ao conversar com moradores do local na quarta-feira.


PSol pede impugnação de Roriz

Com base na lei da Ficha Limpa, o PSol protocolou ontem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedido de impugnação da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal (DF). A sigla alega que Roriz não pode se candidatar porque, em 2007, renunciou ao cargo de senador para fugir da cassação.

À época, Roriz foi acusado de apropriação de recursos públicos e teve conversas telefônicas com o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin de Moura, gravadas pela Polícia Federal. Negociavam a partilha de R$ 2,2 milhões. Roriz terá sete dias para contestar a ação. Caso seja proibido de concorrer, ainda caberá recurso da decisão. A lei torna inelegíveis candidatos condenados por órgãos colegiados e os que renunciaram ao mandato para fugir da cassação. A inelegibilidade é de oito anos.

A primeira reunião oficial de campanha entre Roriz e o grupo político que sustentou o governo de José Roberto Arruda até 2009 mostrou ontem que os personagens do ”mensalão do DF” estão juntos novamente. Sete meses após a revelação do escândalo de corrupção local, que opôs Arruda a Roriz, todos estão unidos agora para derrotar Agnelo Queiroz (PT) e seu vice, Tadeu Filippelli (PMDB).

Arruda respaldou o acordo que seus aliados – PSDB, Dem e PR – fecharam com Roriz. O grupo pode contar com o ex-senador Luiz Estevão, cassado em 2000 por envolvimento na obra superfaturada do TRT paulista, como tesoureiro da campanha. “Se ele (Estevão) quisesse, eu queria. É uma excelente figura. Qual o defeito dele? Para mim, não tem”, diz Roriz. Quando veio à tona a corrupção em seu governo, Arruda (ex-Dem) acusou Roriz de estar por trás das denúncias.