Luciana Genro

Dois pesos e duas medidas

02 de junho de 2010 12h09

A ONU, numa queda de braço entre os Estados Unidos e a Turquia, aprovou um texto que condena o ataque israelense ao navio que tranportava ajuda humanitária aos palestinos, mas o texto não condena Israel e pede uma “investigação imparcial”. O Irã, acusado de enriquecer urânio, recebe as maiores e mais veementes condenações do governo norte-americano. Israel, que promove verdadeiros atos de terrorismo de Estado e desrespeita todas as resoluções da ONU há décadas, tem direito a uma “investigação independente”. A política externa americana resume-se a uma velha máxima: “aos amigos tudo, aos inimigos, o rigor da lei”. Com a ajuda dos EUA, Israel usa a força para manter-se como um enclave no Oriente Médio. Sem a força bruta já não exisitiria mais. Minha origem familiar é judia, por isso falo com muita tranquilidade: o direito dos judeus terem seu país é legítimo, mas esse direito não pode ser exercido à custa da subtração do direito dos palestinos à sua própria terra. É preciso que Israel aceite o estabelecimento de um Estado Palestino independente na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Jerusalém tem que ser democraticamente compartilhada. Os refugiados palestinos tem que ter o direito de retornar às suas casas, de onde foram violentamente expulsos. Caso contrário, o banho de sangue vai continuar. Israel pode continuar a exercer a sua força bruta, com a conivência de tantos governos que dizem respeitar a liberdade e os direitos humanos. Mas os palestinos não vão desistir nunca. Eles não têm outra opção. São gerações e gerações nascidas sob o terror israelense. É lutar ou ser esmagado. E quando a escolha é essa, na verdade não há escolha.