Luciana Genro

Debatendo o Imposto sobre as Grandes Fortunas

10 de junho de 2010 11h57

Alguns dados interessantes para o debate sobre o Imposto sobre as Grandes Fortunas:

– A carga tributária no Brasil realmente é muito alta: 34,33% do PIB. Entretanto quem paga mais é justamente quem ganha menos. A carga sobre o consumo e o salário é 18,14% do PIB, enquanto a carga sobre as rendas do capital é de 5,63% do PIB e sobre o patrimônio é apenas 1,19% do PIB. Então, logicamente, quem consome tudo o que ganha é mais penalizado do que aquele que tem investimentos e patrimônio! O IGF é um pequeno passo no sentido de inverter essa lógica, e assim se pode dimunuir a carga sobre os assalariados. Aliás eu também tenho um projeto nesse sentido.

– Não se sabe ao certo quantas pessoas serão atingidas pelo IGF mas só com as 5 mil famílias mais ricas do Brasil, que detêm riqueza correspondente a 42% do PIB, se pode arrecadar R$ 30 bilhões. Com isso daria para duplicar o orçamento da educação ou aumentar em 70% os recursos para a saúde.

– A cobrança do IGF é progressiva, mas somente sobre o montante que excede a R$ 2 milhões. Quem tem riqueza de, por exemplo, R$2 milhões e 500 mil vai pagar 1% sobre 500 mil. O que dá R$ 5 mil. Já quem tem uma riqueza de R$ 138 milhões (média das 5 mil famílias mais ricas) pagará R$ 6 milhões. Isso é justiça fiscal e distribuição de renda!