Luciana Genro

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” Mt 6,24

17 de fevereiro de 2010 14h45

A Campanha da Fraternidade 2010, cujo lema é o título deste post, toca na essência dos problemas que afligem a humanidade: uma economia mundial que não tem como objetivo central promover o bem-estar das pessoas mas sim o lucro, o enriquecimento de poucos em detrimento da maioria. A economia capitalista não se preocupa com a destruição da natureza (que coloca em risco o próprio planeta) nem com a miséria que degrada milhões de seres humanos submetidos à sua lógica implacável. Seu objetivo é a reprodução do dinheiro, a extração da mais-valia do trabalhador e o lucro dos investidores e especuladores. Alguns vão classificar a Campanha da Fraternidade como ingênua, pois supostamente o capitalismo globalizado é uma realidade irreversível. Mas a verdadeira ingenuidade (ou má-fé) é acreditar que a economia, que é um sistema construído pelos próprios seres humanos e não um desígnio dos céus, não possa ser mudada. Basta que assim queiram os seres humanos, organizem-se e lutem para mudá-la. Fácil evidentemente que não é. Precisamos enfrentar as ideologias, como essa que preconiza como imutável a realidade da exploração e do lucro a qualquer custo, e precisamos enfrentar as próprias forças econômicas comandadas por uma pequena minoria que engendra as forças produtivas a serviço dos seus interesses. Mas não é impossível. Nos tempos da escravidão não faltavam jornalistas e “formadores de opinião” para dizer que era impossível acabar com aquele sistema hediondo. Hoje é impensável alguém defender a escravidão. Por que então aceitar que a escravidão do homem ao lucro, a exploração e a miséria são uma parte essencial da vida em sociedade??