Luciana Genro

Luciana leva questão do Camelódromo à Câmara

24 de fevereiro de 2010 09h03

Sr. presidente, srs. deputados e deputadas,

Não é a primeira vez que venho a esta tribuna para denunciar a situação dramática que estão vivendo os camelôs na cidade de Porto Alegre. O Camelódromo, que foi apresentado pelo prefeito Fogaça como a solução pra todos os problemas do centro da cidade, transformou-se em um pesadelo para os trabalhadores. Além das péssimas condições de trabalho por causa da falta de estrutura, a Verdicom, empresa responsável pelo empreendimento, entrou com ação de despejo contra os trabalhadores que não conseguem pagar as taxas.

Já faz um ano que os trabalhadores estão se mobilizando com o apoio da nossa vereadora Fernanda Melchionna e de outros vereadores sensibilizados com o drama dos camelôs. Eles foram literalmente enxotados das ruas, e o Camelódromo foi-lhes apresentado como a solução do problema. Agora estão tendo que lutar para assegurar o seu direito de trabalhar, pois as ameaças de despejo são constantes. O aluguel chega a R$ 500, o que é absolutamente inviável para um camelô pagar, principalmente aqueles que estão instalados nas áreas menos nobres do Camelódromo, onde o movimento é fraco. A tal da parceria público-privada virou uma parceria “privada-privada”, como tem dito a Fernanda, sem nenhum tipo de controle social, ficando os trabalhadores submetidos aos desmandos da empresa que não tem nenhuma responsabilidade social, só pensa no seu negócio. Esse é o resultado das PPPs e em última instância a responsabilidade é do governo municipal, que colocou os trabalhadores nessa situação. A Câmara de Vereadores vêm atuando no sentido de fazer uma mediação, mas a situação está muito grave, e os despejos são iminentes. Só quem lucrou com o Camelódromo foi a Verdicom, que cobra o aluguel, e a EPTC, porque transformou a antiga área usada pelos trabalhadores ambulantes em estacionamento pago e, ao invés de camelôs, temos uma invasão de carros naquele local. Qual a vantagem? Os camelôs estão sofrendo em um lugar que não tem sequer ventilação, e por isso tem pouca clientela, não conseguem ganhar o seu sustento, não conseguem pagar o aluguel que é muito caro, e agora estão da iminência de serem despejados.

Sr. prefeito, como o senhor quer governar o Rio Grande do Sul se não consegue sequer dar uma solução satisfatória para quem quer apenas trabalhar?

Não vamos aceitar os despejos. Não vamos aceitar que mais trabalhadores fiquem desempregados, marginalizados, o que só vai trazer mais insegurança e violência para quem circula no centro da cidade. Prefeito Fogaça, é hora de colocar os direitos do povo acima dos interesses das empresas!


Luciana Genro