Luciana Genro

O significado da tolerância com os “mensaleiros”

02 de dezembro de 2009 09h22

Ao contrário do que disse o presidente Lula, as imagens que mostram Arruda recebendo propina falam por si mesmas. Que tipo de defesa pode alguém ter diante de imagens tão contundentes? Mas os Demos, com medo do que Arruda possa fazer, ou dizer, resolveram dar uma aliviada e aguardar o desenrolar dos fatos. Esperam que a coisa esfrie, surja outro escândalo e fique tudo por isso mesmo. O PSOL, que não tem representação na Câmara Legislativa do DF, foi o único partido a entrar com o pedido de impeachment de Arruda. Exatamente como aconteceu aqui no RS. Mesmo sem deputado estadual, foi o PSOL o único partido que pediu o impeachment de Yeda e foi o principal protagonista da luta contra a governadora, junto aos servidores públicos. Digo isso por que de escândalo em escândalo a população vai ficando cada vez mais cética, descrente da política, e acaba colocando todo mundo no mesmo saco. É fundamental lembrar que tem gente que não faz parte desse jogo, que há pelo menos um partido neste país que não está envolvido em escândalos, e que não é conivente ou tolerante com a corrupção. Tem gente que acha isso pouco, que diz que o partido que tomar a luta contra a corrupção como sua principal bandeira vai acabar enforcado nas próprias cordas, como aconteceu com o PT. Não concordo. É verdade que a corrupção é endêmica no Brasil e portanto nenhum partido está totalmente livre de ver um dos seus envolvido em algum ato ilícito ou supeito. A questão é como cada um reage diante dos fatos. PT, PSDB e agora DEM mostraram tolerância com os seus mensaleiros.  É a prova de que a prática, se não disseminada, no mínimo é recorrente e conhecida no partido deles.