Luciana Genro

Folha de S. Paulo, 9 de dezembro de 2009

09 de dezembro de 2009 09h53

PSOL questiona patrimônio de filha de Yeda

Partido vai pedir ao TCE gaúcho investigação sobre casa de R$ 310 mil comprada por Tarsila Crusius, que não tem renda
Governadora não comentou caso; advogado da família, Fábio Osório diz que compra não é incompatível e que denúncia é “persecutória”

Graciliano Rocha
Da Agência Folha, em Porto Alegre

Dirigentes do PSOL gaúcho anunciaram que o partido irá pedir a abertura de uma investigação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio Grande do Sul sobre a evolução patrimonial de Tarsila Crusius, filha da governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB).

O alvo do partido, que faz oposição à tucana, é uma casa comprada por R$ 310 mil em junho deste ano pela filha da governadora. Tarsila preside o Comitê de Ação Solidária do governo gaúcho, um cargo pelo qual não recebe remuneração.

De acordo com a certidão de 14 de agosto deste ano, o imóvel adquirido tem 171 m2 de área construída e fica localizado em um condomínio fechado na zona sul de Porto Alegre.

Segundo cópia do documento, R$ 150 mil foram pagos à vista e o saldo devedor foi dividido em dez prestações mensais até agosto de 2010.

“Ela não tem renda, o imóvel é caro e as prestações coincidem com o fim do mandato da governadora”, disse o advogado do PSOL Pedro Ruas, que é vereador em Porto Alegre.

O pedido de investigação vai se basear em lei estadual que dá poder ao TCE-RS para investigar a evolução patrimonial de agentes públicos estaduais.

Não é a primeira vez que as transações imobiliárias da família Crusius são questionadas. Em dezembro de 2006, entre a vitória nas urnas e a posse, Yeda comprou por R$ 750 mil a casa onde vive atualmente.

Como o valor do negócio superou o patrimônio declarado pela tucana naquele ano (R$ 674 mil), Yeda também foi investigada, mas o Ministério Público arquivou a denúncia.

Em fevereiro de 2008, Ruas e a deputada Luciana Genro (PSOL) convocaram uma entrevista para fazer denúncias, sem provas, contra o governo. Só parte delas foi confirmada.

Na ocasião, afirmaram que o ex-coordenador da campanha de Yeda, Lair Ferst, e o ex-assessor da tucana, Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro, entregaram ao Ministério Público Federal provas que ligariam Yeda e o marido ao desvio de caixa dois de campanha.

Conversas gravadas entre Ferst e Cavalcante foram usadas pela Procuradoria para denunciar Yeda e mais oito pessoas por improbidade administrativa em agosto, mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região excluiu Yeda da ação.

Outro lado

Nem Yeda nem seus assessores comentaram a denúncia. A estratégia do governo é tratar o caso como assunto privado de Tarsila. O advogado da família, Fábio Medina Osório, disse que, embora Tarsila não receba salário desde que assumiu o Comitê de Ação Solidária do governo, a compra do imóvel por R$ 310 mil não é incompatível com o patrimônio dela.

Ele afirmou que a filha da governadora tinha poupança e contraiu empréstimos na rede bancária e com amigos para adquirir o imóvel. “É uma denúncia com caráter eleitoral e persecutório”, disse Osório.

O presidente do PSDB-RS, Cláudio Diaz, afirmou que a denúncia “é mais uma canalhice que será desmentida”.