Luciana Genro

Correio do Povo, 14 de dezembro de 2009

14 de dezembro de 2009 10h01

Por que ir a Copenhague?

Fernanda Melchionna

Copenhague, capital da Dinamarca, significa o encontro da humanidade com o seu passado e, principalmente, com uma nova possibilidade de futuro. As discussões que estão acontecendo na Conferência sobre mudanças climáticas da ONU (COP 15) são muito importantes para o próximo período, já que o antigo Protocolo de Kyoto está terminando sua vigência e terá de ser substituído por novos acordos. De acordo com o Protocolo de Kyoto, (que nem foi aceito pelos principais poluidores do mundo) todos os países deveriam ter metas para diminuir a quantidade de gases poluentes, porém aqueles países que poluíram menos do que a meta poderiam vender esta diferença aos países mais poluidores. O problema é que desta maneira a poluição virou mercadoria!

O aquecimento global é resultado de séculos de desenvolvimento, desde a revolução industrial. Esta trouxe inúmeros avanços tecnológicos para a humanidade, mas por ter sido guiada pela sede de lucro de poucos países, deixou como legado um aumento das mazelas sociais e ecológicas. O debate do século XXI, que infelizmente ainda não está na agenda de Copenhague, é a necessária busca de uma nova matriz enérgica para as indústrias mundiais. É preciso debater formas de substituição dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo, entre outros), que são os grandes responsáveis do aquecimento global, por alternativas como a energia eólica e solar, por exemplo. Para o Brasil, o fim do desmatamento deve ser o compromisso número 1. É a floresta que garante a retenção de CO2, para evitar sua ida para atmosfera, por isso, sua preservação é fundamental.

Esperamos que esta conferência, que acontece até o dia 18 de dezembro e que conta com lideranças de todo o mundo, tenha como debate central a preocupação com o meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável. Já existem iniciativas neste sentido, como as que foram apresentadas em reunião da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) pelos governos da Bolívia e do Equador.

O futuro da humanidade estará sendo discutido em Copenhague. Esperamos que a conferência sirva para atender ao interesse dos povos e não ao da acumulação desenfreada de capital. Por isso, estou participando do evento, representando a Câmara de Porto Alegre, para levar as vozes da população de nossa cidade e dos que ainda acreditam que um outro mundo é possível.

VEREADORA