Luciana Genro

Legítima revolta dos policiais

25 de novembro de 2009 12h47

Os policiais militares gaúchos estão em pé de guerra contra a governadora Yeda. E não é prá menos. Além de terem o salário mais baixo do país, ela ainda quer aumentar a contribuição para a previdência, em troca de um pequeno aumento que em muitos casos não vai compensar a perda com a alta da contribição. Cabe aqui uma reflexão sobre a importância dos policiais serem bem remunerados. Muitas vezes os políticos ou juízes alegam suas grandes responsabilidades e as enormes possibilidades de corrupção para defenderem aumentos para si. Teriam  que ganhar bem para não se corromperem, dizem eles. Já ganham altos salários e sempre querem mais (diga-se de passagem que eu sempre votei contra aumento para políticos). Uma lógica absurda, não só porque os salários já são altos mas porque políticos e juízes se corrompem mesmo ganhando muito bem. Agora vejam a situação dos policiais. Colocam em risco a sua própria vida. Lidam diariamente com traficantes, sempre prontos a comprá-los em troca de tolerância. Muitas vezes, devido as suas dificuldades financeiras, moram nas mesmas vilas que os bandidos que perseguem. Suas famílias passam dificuldades. Muitos nem sequer têm uma moradia digna, ou pagam aluguéis que consomem grande parte do seu salário. Estão, portanto, totalmente vulneráveis às investidas dos bandidos. A corrupção nas polícias só não é maior do que na política. Melhorar a segurança da população passa por remunerar melhor os policiais, oferecer-lhes condições dignas de trabalho, a possiblidade de se orgulharem da sua função. Nenhum governo fez isso até hoje. Por isso, sofrem os policiais e sofre a população, especialmente a mais pobre, que tem mais medo do que confiança na polícia. É hora de mudar. Em 1997 os policiais de todo o país, inclusive do RS, fizeram grandes lutas, e até greves violentas. Eu mesma, junto com Roberto Robaina, hoje presidente do PSOL, estive com eles nos piquetes da greve de 1997. Nenhum policial gosta de fazer greve, nem a população de ver protestos da polícia. Mas para evitar a legítima revolta, Yeda vai ter que ceder.