Luciana Genro

Zero Hora, 18 de setembro de 2009

18 de setembro de 2009 10h41

CPI DAS GRAVAÇÕES
Áudios citam suposta distribuição de propina
Lair, Cavalcante, Vaz Netto e Maciel dialogam em quatro trechos liberados

Integrantes da CPI da Corrupção divulgaram ontem mais quatro gravações que lançam suspeitas sobre o Executivo. Interlocutores dos diálogos, obtidos durante a investigação do desvio de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), abordam temas como o suposto repasse de propina da autarquia no valor de R$ 170 mil para a governadora Yeda Crusius.

Outros pontos levantados são a suposta obtenção de recursos para saldar dívidas do PSDB e de Yeda, o que indicaria irregularidades na campanha eleitoral em 2006. As pressões exercidas pelo ex-presidente do Detran, Flavio Vaz Netto, sobre o então relator da CPI do Detran, Adilson Troca (PSDB), para defender a procuradora Andréa Vieira também aparecem.

Em outro diálogo, o ex-chefe da representação do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro, confirma que entregou uma carta do réu do Caso Detran Lair Ferst a Yeda. A carta revelava o esquema no departamento.

Cinco pessoas aparecem nas conversas: Vaz Netto e o ex-diretor da CEEE Antônio Dorneu Maciel, réus na Operação Rodin, investigada pela Polícia Federal (PF). Em outra gravação, está Lair e Cavalcante. Vaz Netto conversa também com o jornalista do PP Sergio Araujo, que passou um recado a Troca (veja os trechos ao lado e na página 23).

Comissão deve buscar dados sobre ex-assessor em Brasília

A maioria das conversas divulgadas ontem é comentada na ação civil pública de improbidade administrativa do Ministério Público Federal (MPF), e alguns trechos já haviam sido divulgados pela imprensa. Em diálogo gravado entre Lair e Cavalcante, o consultor diz que a primeira parcela de R$ 170 mil de propina do esquema, supostamente destinada à Yeda, teria sido recebida pelo ex-tesoureiro da campanha eleitoral em 2006 Rubens Bordini. A partir do segundo mês, o ex-secretário-geral de Governo Delson Martini teria ficado encarregado de receber os valores a serem repassados à governadora, uma vez que Bordini não queria mais fazer esse papel. Os citados na conversa negam a denúncia e desqualificam a gravação feita pelos dois amigos.

Na sessão de ontem, a CPI também definiu que deve ir a Brasília para trocar informações com os responsáveis pela investigação da morte de Cavalcante.

Enquanto perdura o impasse entre oposicionistas liderados pela presidente da CPI, Stela Farias (PT), e aliados da governadora, a investigação fica travada. Governistas argumentam que Stela seria autoritária ao não pôr em votação o plano de trabalho apresentado pelo relator da CPI, Coffy Rodrigues (PSDB).

PIRATINI ATINGIDO
Feijó deve falar à CPI em 19 de outubro

O vice-governador Paulo Afonso Feijó deve depor na CPI da Corrupção, na Assembleia Legislativa, no dia 19 de outubro. Técnicos da comissão tentam também agendar o depoimento do réu do Caso Detran Lair Ferst. Segundo a presidente da CPI, Stela Farias (PT), existe a possibilidade de Lair falar à comissão nos próximos dias.