Luciana Genro

Jornal do Comércio, 9 de setembro de 2009

09 de setembro de 2009 10h42

José Serra lidera todas as simulações para 2010

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera a corrida eleitoral para as eleições presidenciais de 2010 em todos os cenários de primeiro turno na pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. Na primeira lista, composta por Serra, pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), pela ex-senadora Heloísa Helena (P-Sol) e pela senadora e ex-ministra Marina Silva (PV), o tucano lidera com 39,5%. Na sequência, vêm Dilma, com 19%, Heloisa Helena, com 9,7% e Marina Silva, com 4,8%. Sem Heloísa Helena, Serra teria 40,1%, Dilma, 19,9% e Marina, 9,5%. Essa é a primeira simulação em que o nome de Marina Silva é colocado.

Com Ciro Gomes (PSB-CE) no lugar de Dilma, Serra teria 40,5%, Heloísa Helena somaria 10,7%, Ciro teria 8,7% e Marina, 7,1%. Em outra simulação, com o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), Serra teria 42,2%, Heloísa Helena chegaria a 10,8%, Marina teria 7,4% e Palocci somaria 7%.

Em cenário com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG), no lugar de Serra, Dilma lidera as intenções de voto, com 23,3%, seguida por Aécio (16,8%), Heloísa Helena (13,5%) e Marina (8,1%). Sem a presença de Dilma, Aécio lidera a disputa, tanto com Ciro quanto com Palocci como candidatos governistas. Em cenário apenas com Dilma, Aécio e Marina, a petista teria 25,6%, o tucano, 19,5% e a senadora somaria 11,2%.

Na pesquisa espontânea, o presidente Lula aparece disparado em primeiro lugar, com 21,2% das intenções. Serra vem na sequência com 7,7%, seguido de Dilma (4,8%). Aécio é o quarto mais lembrado (3,1%). A pesquisa CNT/Sensus mostrou que Lula tem um potencial de transferência de votos de 20,8%. Em maio, esse indicador estava em 21,5%. O diretor da Sensus, Ricardo Guedes, disse que o percentual de transferência é “muito alto”, já que tradicionalmente esse índice é de 5%.

João Luiz Vargas se afasta da presidência
Conselheiro está de licença-saúde por uma semana para examinar problema cardíaco; STJ libera quebra de sigilo fiscal

O presidente do Tribunal de Contas (TCE) do Rio Grande do Sul, João Luiz Vargas, entrou ontem em licença-saúde. O afastamento, válido por uma semana, será dedicado à realização de uma bateria de exames para a investigação de possíveis problemas cardíacos.

No final de semana, o conselheiro se sentiu mal e foi aconselhado por um médico particular a se afastar das funções. Ele passou o dia na cidade de São Sepé, em repouso, e deverá realizar os exames em Porto Alegre.

O anúncio do afastamento aconteceu no mesmo dia em que foi publicada a decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha que dá acesso à Polícia Federal (PF) do Rio Grande do Sul ao sigilo bancário e fiscal de João Luiz, permitindo, ainda, a obtenção em órgãos públicos de registros de sua movimentação física.

Noronha também aceitou o compartilhamento de provas entre a investigação da PF e a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF) que tramita na Justiça Federal de Santa Maria; além da oitiva de João Luiz e de terceiros. O presidente do TCE é acusado de ter participação na fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran.

No STJ, o ministro Noronha é o relator de uma ação, em curso desde agosto do ano passado, gerada a partir de notícia-crime encaminhada pelo Ministério Público Estadual e de representação feita pelo Ministério Público de Contas contra João Luiz Vargas, ambas relacionadas ao esquema do Detran.

Ontem, os conselheiros do TCE estiveram reunidos por uma hora e meia para avaliar o afastamento de João Luiz. No final da tarde, o vice-presidente do Tribunal, Porfírio Peixoto, evitou comentar as denúncias de corrupção e condicionou o desligamento efetivo de João Luiz exclusivamente ao resultado dos exames médicos.

“O presidente poderá renovar o pedido temporário de afastamento ou se desligar definitivamente. Tudo depende do que os médicos recomendarem”, ponderou Porfírio.

No caso de João Luiz deixar o TCE, será necessário antecipar a eleição do novo presidente, prevista para acontecer em dezembro. Pelo rodízio estabelecido na Corte, o conselheiro João Osório deve assumir o posto.

O vice-presidente do TCE, no entanto, não quis se antecipar ao debate sobre a sucessão de João Luiz. “Não seria nem ético, no momento em que um colega está adoentando, estarmos nos antecipando ao que vai acontecer. Temos que aguardar”, afirmou.

Ao comentar a decisão do STJ, Porfírio Peixoto avaliou que não representa “uma novidade”, uma vez que eram esperados desdobramentos com a ampliação da investigação.

Mas admitiu que, ao quebrar o sigilo bancário e fiscal de João Luiz, a imagem do TCE ficou abalada. “Não é bom para a instituição ver o seu presidente sendo investigado”, observou.