Luciana Genro

Zero Hora, 5 de agosto de 2009

05 de agosto de 2009 10h57

FIM DO SUSPENSE
Piratini adota discrição e oposição se mobiliza

Integrantes do primeiro escalão do governo do Estado ontem evitaram manifestar apreensão em relação ao anúncio a ser feito hoje pelo Ministério Público Federal (MPF).

Secretários reduziram a importância da divulgação do posicionamento dos procuradores. À frente da Secretaria da Transparência, Francisco Luçardo garantiu que não esperava nenhuma novidade importante.

– Acredito que o MPF anunciará amanhã o que já é conhecido – disse o secretário.

Segundo o líder do governo, Pedro Westphalen (PP), o anúncio servirá para aplacar o constante clima de suspeitas que prejudicam a rotina da administração.

– É muito bom que o MPF se manifeste. Espero que amanhã (hoje) acabe de uma vez por todas essa novela. Ficamos muito felizes. Estou ansioso para que ocorra logo isso aí – afirmou o deputado.

Presidente da CEEE, o secretário-geral do PPS, Sérgio Camps, que compõe o conselho político do governo, foi lacônico:

– Quando explode uma bomba, vamos ver o que sobra.

O vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (PSOL) disse:

– Não sabemos exatamente o que vem aí, mas é coisa pesada. Estamos esperando uma bomba.

ROSANE DE OLIVEIRA

Mistério chega ao fim

Será desfeito hoje o mistério que intriga os gaúchos desde fevereiro, quando a deputada Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas, do PSOL, fizeram denúncias bombásticas contra a governadora Yeda Crusius. Em uma entrevista coletiva marcada para as 15h, a força-tarefa criada pelo Ministério Público Federal para investigar os desdobramentos da Operação Rodin vai anunciar suas conclusões. Apesar do silêncio dos procuradores nos últimos meses, o PSOL, que protagonizou as denúncias, espera uma bomba atômica.

O ponto de partida da investigação é o voto em separado apresentado pela bancada do PT ao final da CPI do Detran. Tudo o que os procuradores apuraram a partir da entrega da denúncia à Justiça Federal de Santa Maria foi juntado num quebra-cabeça que hoje deve ser finalmente mostrado à imprensa.

As denúncias feitas por escrito por Lair Ferst em um acordo de delação premiada são o fio condutor da investigação, junto com o esboço do depoimento que Marcelo Cavalcante, ex-chefe da representação gaúcha em Brasília, pretendia dar ao MPF. Cavalcante apareceu boiando no Lago Paranoá em fevereiro deste ano e até hoje a polícia não sabe se ele se suicidou ou se foi assassinado.

A expectativa de pessoas que tiveram contato com membros do MPF nos últimos meses é de que sejam anunciadas ações contra agentes públicos e o encaminhamento, aos tribunais competentes, de provas contra políticos que gozam de foro privilegiado. O principal alvo seria a governadora Yeda Crusius.

Na segunda-feira, quando esteve na sede do MPF em Porto Alegre falando sobre sua passagem pela Secretaria da Segurança Pública, o deputado federal Enio Bacci (PDT) saiu convencido de que os procuradores dispõem de material “muito consistente”. Bacci foi questionado principalmente sobre o processo de transferência do Detran da Secretaria da Segurança para a da Administração.

EXPECTATIVA NO CONGRESSO
Começa exame do Caso Sarney
Controlado por aliados do peemedebista, o Conselho de Ética decide hoje se aceita primeiras ações do PSDB e do PSOL

AILTON DE FREITAS, AG

AILTON DE FREITAS, AG

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), apresenta hoje sua decisão sobre as primeiras ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), protocoladas no colegiado.

A oposição já prepara recurso caso sua decisão seja pelo arquivamento das ações. O Conselho é formado majoritariamente por aliados de Sarney – 10 dos 15 senadores. Duque descartou pedir mais prazo, de cinco dias, para apresentar a decisão sobre se aceita ou não as ações.

O presidente do Conselho disse ontem que se pronunciará sobre as três denúncias apresentadas pelo líder do PSDB, senador Artur Virgílio (AM), ao colegiado e sobre as duas primeiras representações apresentadas pelo PSOL, contra Sarney e contra o ex-presidente do Senado e líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL). Nas primeiras ações, o PSOL pede a apuração das denúncias de irregularidades no Senado durante a gestão dos dois senadores a partir da revelação dos atos secretos. Na representação, o PSOL argumenta que os atos secretos criaram cargos, aumentaram remuneração, contrataram aliados políticos e parentes, beneficiando Calheiros e Sarney.

Denúncias mais recentes serão apreciadas na sexta-feira

As três denúncias contra Sarney foram apresentadas por Virgílio, antes de o PSDB assinar as representações. Elas se referem a nomeações por atos secretos de parentes e amigos, ao suposto favorecimento do neto José Adriano Cordeiro Sarney, sócio de empresa que opera crédito consignado no Senado, e ainda suspeita de interferir a favor da Fundação Sarney, que desviou pelo menos R$ 500 mil de patrocínio de R$1,3 milhão da Petrobras para empresas fantasmas e da família Sarney, segundo revelou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Duque afirmou ainda que na sexta-feira apresentará sua decisão sobre as outras representações contra Sarney. O PSDB protocolou três pedidos no conselho. Os documentos citam 18 atos secretos que teriam beneficiado parentes ou o próprio senador. O PSOL também protocolou pedido de investigação sobre a denúncia de que Sarney teria ocultado mansão de R$ 4 milhões em Brasília de sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. Também há no conselho outras três denúncias contra Sarney, apresentadas por Virgílio e pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF).