Luciana Genro

Zero Hora, 12 de agosto de 2009

12 de agosto de 2009 11h19

PIRATINI ATINGIDO
Protesto e confusão na porta do Foro

Militantes do PSOL se envolveram em tumulto com seguranças do Foro Central na tarde de ontem, momentos antes do início da audiência de conciliação entre o ex-marido da governadora Yeda Crusius, Carlos Crusius, e o vereador Pedro Ruas (PSOL). Ao serem comunicados pelo juiz do 3º Juizado Especial Criminal, Artur Almeida, de que não poderiam acompanhar a audiência, alguns militantes gritaram palavras de ordem e foram retirados à força do quarto andar do prédio. Em meio ao empurra-empurra, o presidente estadual do PSOL, Roberto Robaina, foi seguro pelo pescoço por um dos seguranças.


Delegada indicia três por ato na casa de Yeda

Os depoimentos da governadora Yeda Crusius e de sua filha, Tarsila Crusius, presidente do Comitê de Ação Solidária, foram, segundo a titular da 14ª Delegacia de Polícia, Sílvia Coccaro de Souza, essenciais para o indiciamento da presidente do Cpers-Sindicato, Rejane de Oliveira, a vice, Neida Oliveira, e a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), em razão do protesto diante da casa da tucana realizado em 16 de julho.

Para a delegada, as três cometeram dano material, injúria, difamação e tentativa de cárcere privado. A delegada anunciou ontem as conclusões da investigação e enviou o inquérito ao Ministério Público Estadual. Caberá ao órgão a decisão de fazer ou não denúncia à Justiça.

A delegada identificou Rejane, Neida e Fernanda como líderes da manifestação a partir do registro policial do dia do incidente, feito na Área Judiciária do Palácio da Polícia, e dos depoimentos de Yeda e de Tarsila. Sílvia foi ouvir as duas no Palácio Piratini. Yeda prestou depoimento em 20 de julho, e Tarsila, no dia seguinte. A governadora e sua filha citaram expressões usadas pelos manifestantes no protesto: “ladra”, “vai para o camburão” e “casa da corrupção”. Para a delegada, as declarações não são palavras de ordem, mas sim frases ofensivas e insultos que fundamentaram o indiciamento por injúria e difamação, crimes contra a honra.

Delegada aguarda por informações da BM

Está sob investigação a suspeita de excessos supostamente cometidos pela BM no dia do protesto. A 14 ª DP já ouviu quatro depoimentos de vítimas de lesões corporais. De acordo com as testemunhas, os brigadianos usavam uniformes sem identificação. Para Rejane, o PM tem de ser identificado como forma de evitar abusos. Sílvia diz ter pedido, no dia 20 de julho, ao 11º Batalhão de Polícia Militar, a lista dos policiais que atuaram na ocasião para facilitar o reconhecimento. Até ontem, a delegada não tinha recebido resposta.

– Eu vi as lesões. Elas foram machucadas. Quero saber se houve excesso ou não – diz Sílvia.