Luciana Genro

PSOL com Heloísa Helena e em defesa da esquerda socialista e democrática

26 de agosto de 2009 17h13

Este texto é uma construção comum daqueles que lutaram para que Heloísa continuasse sendo a presidente do PSOL. Se você é militante do PSOL e desejar assiná-lo mande um email para nós.

PSOL com Heloísa Helena e em defesa da esquerda socialista e democrática

O balanço positivo da nossa intervenção no II Congresso do PSOL se materializa na enorme vitória para nosso partido: Heloísa Helena foi reconduzida à presidência do PSOL. Mas não foi como todos desejariam. Não foi reconduzida por uma votação em separado, exclusiva, em plenário. Não foi, porque contra tal procedimento óbvio se levantou uma articulação encabeçada pelos que subscreveram a tese Novos Tempos para o PSOL – APS e Enlace –.

Essas duas correntes, de forma insólita e incoerente, se compuseram com outras com as quais pouco, ou quase nada, tinham, programaticamente, em comum, apenas para impor uma derrota a Heloisa Helena numa luta interna. E, com isso, por motivos e objetivos distintos, afirmar uma nova maioria absolutamente insustentável em termos estratégicos.

Contra isso, nos colocamos. Numa batalha travada unitariamente pelo MES, Poder Popular-MTL, Grupo de independentes do Rio, e o grupo referenciado, em São Paulo, ao mandato do nosso deputado Gianazzi, conseguimos barrar tal articulação. Uma articulação nefasta, não só para o PSOL, mas, para os milhões de brasileiros que, a despeito de toda o esforço da imprensa burguesa para ocultá-la da vida pública, continuam afirmando sua confiança na nossa liderança nacional mais expressiva, e que não compreenderiam como seu próprio partido assim não a reconhecesse.

Entregamos a presidência de nossa chapa a Heloisa Helena, e impusemos o recuo inevitável. Com 40% dos votos – quase a metade dos delegados, mas em composição coerente e consolidada na visão próxima ou idêntica a respeito dos principais temas polêmicos em debate, numa composição que tem objetivos estratégicos comuns – fomos ao confronto de forma democrática. E impusemos a ordem natural das coisas aos que tentavam o inexplicável.

Esta unidade, portanto, não termina com o Congresso do partido. Vamos seguir juntos no pós congresso travando, na base, junto à militância que vive a vida real, que faz o combate do quotidiano entre o mundo do trabalho e o grande capital, a batalha política para que o PSOL siga como um instrumento a serviço da esquerda socialista e democrática.

Refletir o balanço de nosso congresso é reconhecer que o esforço que precedeu nosso encontro; o seminário internacional, realizado em uma parceria da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL com a Fundação Lauro Campos. Tal trabalho, comum e coordenado, resultou em importante ação política unitária, da qual participaram dirigentes revolucionários de vários países, com destaque para o uma delegação de alto nível do MAS boliviano, envolto na campanha pela reeleição de Evo Morales, em dezembro, e para o que solicitaram a colaboração do nosso partido junto à imensa colônia que se concentra em São Paulo. Com destaque também para o líder da resistência Hondurenha, Gilberto Rios, além de dirigentes políticos, sindicais e parlamentares do Peru, Colômbia, Venezuela e Argentina. Significativa, também, a presença de representantes do NPA da França, do ISO dos EUA e de intelectuais de reconhecida ação internacionalista, como François Chesnais e Jorge Bernstein. Forçoso admitir que o esforço para o êxito final não foi incorporado por todos de nosso partido.

Nosso encontro revelou e unificou, de um lado, os que resgataram a defesa das referências democráticas fundadoras de nosso jovem partido. Em oposição aos rumos novos, intolerantes, fizemos a defesa da construção de uma ferramenta a serviço da esquerda socialista e democrática. No contraponto da prática burocrática da tentativa da imposição de posições políticas com a truculência e a coerção, afirmamos a possibilidade de construção de um programa para enfrentar os desafios táticos eleitorais do próximo ano. No contraponto da afirmação de verdades absolutas, que objetivamente de nada servem, buscamos a unidade na luta contra as políticas e práticas do novo liberalismo, hoje postas em prática pelo PT e o PSDB, na repetição do retrocesso ideológico já registrado na social-democracia européia, e da velha direita encastelada no demo-PFL e no PMDB. Construímos, enfim, a justa proposta de termos a unidade partidária em torno de Heloísa Helena, presidente do PSOL em contraponto à busca inconseqüente e inócua pelo controle do inexistente “aparelho” do PSOL.

Afirmamos, ao nos dirigir aos militantes do partido, nosso compromisso de seguir a luta pela construção do PSOL como um partido de esquerda que dialogue com o povo, não apenas um partido de propaganda socialista, mas sim de combate, com incidência real na conjuntura do país e não que se limite em discursar apenas para a vanguarda esclarecida. Um partido que aproveite as oportunidades, as contradições e fissuras na classe dominante para se credenciar junto ao povo, incentivar a mobilização e ajudar os movimentos sociais a se fortalecer para enfrentar os governos e a burguesia. A exemplo do que realizamos no Rio Grande do Sul, onde o PSOL está no centro da luta política denunciando a corrupção do governo da tucana Yeda Crusiuse. E, desta forma, ajudando os sindicatos a barrar os ataques aos direitos dos trabalhadores e o desmonte do Estado, como fazemos na luta pela reforma agrária e por uma intervenção sindical de esquerda, junto aos companheiros do MTL, com a afirmação de uma nova central combativa para março de próximo ano, que unifique a Conlutas , a Intersindical e amplie nas bases nossa organização. Como fazemos, enfim, no “fora Sarney”, sem nenhuma prioridade moralista, mas sim para mostrar como as instâncias ditas republicanas sempre serão corrompidas, porque corrompido, essencialmente, é o próprio regime capitalista.

Nossas posições e a reflexão sobre os rumos do PSOL devem ter como norte o combate a posições que colocam a luta socialista à frente da busca de afirmação interna de grupos e correntes. A negação em aprovar, com voto unitário, a companheira Heloísa Helena para presidente de todo o partido indicam uma conduta política que nada tem a ver com o socialismo e a liberdade, como bem fundamentou o companheiro Chico Alencar, em uma das mais belas declarações de coerência e franqueza do Congresso, durante o encaminhamento de nossa proposta,

Nossa reação ao afastamento de Heloisa da presidência resultou de razões concretas. Baseadas em processos que se iniciaram de forma sub-reptícia, nos bastidores, sem nunca terem sido reveladas em nenhum fórum pré-congressual. E seus articuladores não podiam, evidentemente, colocá-las abertamente.

Não podiam fazê-lo, pois sabem que teriam sido fragorosamente derrotados nos encontros estaduais. E recuaram no Congresso por saberem impossível propor Heloisa para a presidência da República, mas negar-lhe a possibilidade de ser presidente do partido. Como explicar isso diante, não só da militância, mas também diante do povo trabalhador no momento de lhe pedir o voto.

Houve também razões concretas, geradas no próprio Congresso, para que nos afastássemos de qualquer negociação. A forma autoritária com que as lideranças do setor de mulheres tentou impor, invadindo o palco e criando constrangimentos diretos contra Heloisa que no momento ocupava a mesa diretora dos trabalhos, para a votação de uma resolução sobre aborto foi inaceitável. Como foi inaceitável a passividade dos dirigentes de correntes, acovardados e rendidos à concepção equivocada de um movimentismo canhestro.

Queriam obrigar Heloísa a defender o que ela não acredita por uma opção de fé, da mesma forma que o PT tentou impor a reforma da previdência e o mensalão. E, ao fazê-lo sob o pretexto da luta pela discriminalização do aborto e do feminismo, diminuíram a luta justa de milhares de companheiras, que de fato querem uma sociedade sem opressão dos homens sobre as mulheres, sem opressão do capital sobre o trabalho, sem opressão entre revolucionários.

Indicada, com muito orgulho, por nossa chapa, Heloísa seguirá como presidente do PSOL. Nosso partido seguirá com a cara daquela que é a nossa maior guerreira, o símbolo da luta sem quartel contra o PT e o PSDB; que confrontou Lula desde o primeiro momento, contra Sarney e Henrique Meirelles; que conduziu o nosso partido, nestes cinco anos, de forma abnegada, fazendo do PSOL uma referência para amplos setores de massas.

A nova direção será composta pelas chapas apresentadas e sua executiva terá a seguinte composição: chapa 1 (APS, Enlace, Csol e TLS), com 8 nomes na Executiva do Partido, sendo 4 companheiros da APS, 2 do Enlace, 1 do Csol e 1 da TLS. Chapa 2 (CST e aliados ), 2 membros na Executiva, e nossa chapa, a chapa 3, com 7 membros.

Fizeram parte de nossa chapa, a companheira Heloísa Helena, Luciana Genro, os presidentes do PSOL de Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Milton Temer, presidente da Fundação Lauro Campos ,o deputado estadual de SP Carlos Gianazzi, o deputado suplente do RS Geraldinho, os vereadores Elias Vaz, de Goiânia, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas de Porto Alegre, Ricardo Barbosa de Maceió, os coordenadores nacionais do MTL Janira Rocha e João Batista e outros valorosos militantes de vários estados.

HELOISA, PRESIDENTE

Desde já, estamos ao lado de Heloísa para o combate nas eleições do próximo ano, Heloísa é, em primeiro lugar, nossa candidata natural para enfrentar Dilma e Serra, duas faces da mesma moeda. Não temos dúvida da importância da candidatura de Heloísa à Presidência da República representando uma alternativa de esquerda para o Brasil. Mas, reconhecemos também, que a companheira tem todo o direito de explorar a possibilidade de se candidatar ao Senado, tendo em vista a pressão que sofre em seu próprio Estado daqueles que já não suportam se verem representados por Renan Calheiros e Collor.

Temos absoluta convicção de que os mais de 50.000 filiados ao partido e também uma ampla parcela de massas que dão a Heloisa Helena14% de intenção de votos para a presidência da república responderão de maneira inquestionável ao chamado público que faremos cotidianamente para submeter esta auto- denominada e politicamente insustentável nova maioria aos princípios fundadores do Partido, fazendo-os recuar de sua intolerância e de seu dogmatismo. Garantindo que o PSOL continue expressando os princípios de um novo e libertário socialismo, onde todos serão livres para expressar, em caráter individual, suas opiniões, mesmo quando elas se contrapõem às posições majoritárias no partido.

Se você companheira e companheiro defende a esquerda socialista e democrática, você defende o PSOL com Heloísa Helena, manifeste sua posição e assine este texto: psol.esd@gmail.com