Luciana Genro

Estadão Online, 11 de agosto de 2009

11 de agosto de 2009 16h09

Decisão de juíza de não afastar Yeda mantém impasse no RS
Simone Barbisan Fortes disse ter levado em conta prejuízo que seria causado à sociedade gaúcha

Wálmaro Paz

PORTO ALEGRE – A decisão da juíza da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes, de não aceitar o pedido liminar de afastamento da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS) deu fôlego ao governo e aos partidos da base aliada para prepararem a defesa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deverá ser instalada pela Assembleia Legislativa até o fim do mês. O secretário-chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, afirmou em entrevista a rádios locais na manhã desta terça-feira que “estava satisfeito com a decisão” e que tinha o sentimento de que a verdade prevaleceria.

Embora o PSDB tenha entrado com um pedido para o presidente de Assembleia Legislativa, deputado Ivar Pavan (PT), para que não aceitasse o requerimento de instalação da CPI, Wenzel afirmou que “o governo quer a investigação para que tudo apareça agora”. Segundo ele, o papel do governo será o de dar informações para esclarecer a verdade e auxiliar a CPI.

Ao tomar a decisão, a juíza Simone Barbisan Fortes disse ter levado em conta o prejuízo que seria causado à sociedade gaúcha pelo afastamento da governadora. No entanto, não se manifestou sobre o pedido feito pelo advogado, da governadora Fábio Medina Osório, para que não aceitasse a ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal na última quarta-feira.

Durante reunião da mesa diretora, Ivar Pavan disponibilizou a íntegra da ação aos deputados interessados. Ressalvou, no entanto, a manutenção do segredo em relação às escutas telefônicas e aos dados bancários e fiscais. Pavan disse que vai usar o processo para analisa o pedido de impeachment feito, no mês passado, pela Federação dos Servidores Públicos Estaduais.

A deputada federal Luciana Genro (Psol) que fez as denuncias contra a governadora no dia 19 de fevereiro junto com o vereador Pedro Ruas e o presidente estadual do Psol, disse que esperava esta decisão da juíza. “Ela não pediria o afastamento da governadora antes de analisar o mérito”. Disse ainda que continuará participando de mobilizações que pedem o impeachment da governadora e adiantou já tem uma marcada para a tarde da próxima sexta-feira.

Luciana acompanhou o vereador Pedro Ruas (Psol) a uma audiência de conciliação no Fórum da capital, movida contra ele pelo ex-marido da governadora Carlos Crusius. Crusius foi chamado de “ladrão” por Ruas durante um programa de televisão ainda em março deste ano. Na audiência não houve acordo possível e os dois decidiram continuar com o processo.

Mudança de foco

Já a delegada da 14ª DP, Sílvia Cócaro, indiciou criminalmente a vereadora Fernanda Melchiona, a presidente do Cpergs, Rejane de Oliveira e a vice-presidente da entidade Neida de Oliveira por danos, injúria de difamação e tentativa de cárcere privado. Elas participaram de uma manifestação na frente da casa da governadora Yeda Crusius no último dia 16 de julho.

Naquela manhã, a governadora deparou com a manifestação dos professores no momento em que saía de casa com a filha Tarsila para levar os netos à escola. Respondeu com um cartaz no qual chamou os professores de “torturadores de crianças”. Além disso, chamou o Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar que dispersou os manifestantes e prendeu as três lideranças indiciadas.

A vereadora e as dirigentes sindicais também foram feridas pelos policiais e a delegada disse que está investigando também a ação dos policiais. Para isto elas deverão reconhecer, em vídeos, os policiais que cometeram a violência.

A vereadora Fernanda disse que o indiciamento é uma tentativa de mudança de foco na situação atual “quem está sendo acusada pelo Ministério Público é a governadora”.

Na Assembleia Legislativa começavam as articulações sobre as indicações das representações na CPI. Os partidos da base de apoio do governo deverão ficar com oito representantes contra quatro dos partidos da oposição. A presidência, no entanto deverá ser da deputada Stela Farias (PT) que encabeçou o requerimento.