Luciana Genro

Esquina Democrática, 6 de agosto de 2009

06 de agosto de 2009 20h36

Pedro Ruas diz que CPI poderá atrasar impeachment de Yeda

Alexandre Costa

O vereador Pedro Ruas (PSOL) afirmou hoje pela manhã, quinta-feira (6/8), durante o programa “Polêmica”, apresentado por Lauro Quadros, na Rádio Gaúcha, que Yeda Crusius “não tem mais legitimidade e nem condições políticas para governar o Rio Grande do Sul”. Ruas defende o afastamento imediato através do impeachment da governadora. “Já existem dois pedidos protocolados na Assembléia Legislativa e um terceiro deverá ser apresentado nos próximos dias”, disse. Ele alertou ainda para os riscos de uma CPI, “que poderia servir para atrasar, em até 180 dias, o afastamento de Yeda”.

Durante sua participação no “Polêmica”, Pedro Ruas remontou os caminhos das denúncias feitas pelo PSOL e das investigações do Ministério Público Federal, elogiando o trabalho dos procuradores, ao qual classificou de “sério e exemplar”.

“Nós fizemos uma representação no Ministério Público, na época, sobre irregularidades em relação à casa da governadora, que estava subavaliada. Nós tínhamos informações através de uma revista, por exemplo, que anunciou a casa por um valor de R$ 1,4 milhão. Outro anuncio, oferecia a casa por R$ 1 milhão. Isso três meses antes da compra do imóvel pela governadora, que ela diz ter sido adquirida por R$ 750 mil. Posteriormente, tivemos informações de que ela sequer tinha patrimônio para fazer o pagamento dos R$ 750 mil”.

Em seguida, Ruas lembrou sobre o pedido de indisponibilidade dos bens, feitos pelo PSOL. “Nós fizemos um pedido, há um mês, de indisponibilidade dos bens e do bloqueio das contas bancárias de Yeda Crusius, Carlos Crusius e Delcio Martini. E isso é exatamente o que fez o Ministério Público.

Impunidade
Pedro Ruas disse que no Brasil “infelizmente” não há punição para os crimes de colarinho branco e também não há ressarcimento aos cofres públicos, citando o caso de Paulo Maluf , ex-prefeito de São Paulo. “Houve um prejuízo aos cofres públicos de R$ 44 milhões, no caso da fraude do DETRAN; e calcula-se que de outros 300 milhões na Operação Solidária. Isso significa escolas, hospitais, pontes, estradas, creches que deixaram de ser construídas no Rio Grande do Sul e que tanto nos fazem falta”.

Para Ruas, Yeda deve ser afastada imediatamente, pois não tem legitimidade e condições políticas. “Quero dizer que o PSOL sempre foi favorável ao pedido de CPI, mas trata-se de um inquérito e o Ministério Público Federal fez um inquérito também. Portanto, o que a CPI vai fazer com suas conclusões é remetê-las ao Ministério Público”.

CPI poderá atrasar impeachment
Para o vereador Pedro Ruas, é preciso ter cuidado para que a CPI não se transforme em um elemento de manutenção da governadora, pois o trabalho da Comissão poderá se estender por mais 180 dias. “A CPI apresenta conclusões, mas não condena. Então a CPI envia suas conclusões ao Ministério Público que, cabe ressaltar, já fez o inquérito e já mandou para o Judiciário. Portanto, nós temos que trabalhar pelo impeachment”.